"Nem o Estado Novo se atreveu a mexer" no 5 de Outubro

A presidente da Associação dos Professores de História (APH) lamentou hoje a proposta de eliminar o 5 de Outubro, lembrando que este é um feriado que "nem o Estado Novo se atreveu a mexer".

Raquel Henriques comentava desta forma o anúncio do ministro da economia, que hoje disse que o Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro da lista de feriados obrigatórios.

Para a presidente da APH, esta eliminação é "lamentável" e não tem justificação, muito menos económica, já que "existem muitos países com mais feriados do que nós e nem por isso são menos produtivos".

"É um argumento demagógico", disse à Agência

Raquel Henriques não entende como é que ainda há pouco mais de um ano se comemorava o centenário da implantação da República com tamanho impacto e agora o mesmo seja eliminado.

A professora recordou que a implantação da República é uma matéria transversal em vários programas no sexto e nono ano e ainda no ensino secundário.

"É sempre um tema alvo de exame ao nível do ensino secundário e de testes nacionais intermédios do nono ano", disse.

Para Raquel Henriques, este período histórico é "fulcral para se perceber a diferença entre a Monarquia e a República e entre a República e o Estado Novo".

"É igualmente fulcral para perceber as propostas dos republicanos que continuam com toda a atualidade", adiantou.

A professora vai mais longe ao considerar que a eliminação do feriado do 05 de Outubro, tal como do 01 de Dezembro, é "uma agressão à memória histórica dos portugueses".

"Confio nos professores para que continuem a trabalhar estes temas com o devido cuidado", concluiu.

Exclusivos