"Não há risco neste empréstimo", defende Maria Luís

A ministra das Finanças diz que "o que mudou em 15 dias" foi "um conjunto de informação relevante", nomeadamente os prejuízos conhecidos, "que alteraram materialmente" a avaliação sobre o BES.

Maria Luís Albuquerque insistiu esta quinta-feira à tarde, na Assembleia da República, que "não há risco neste empréstimo", referindo-se aos quase 4,9 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução vai emprestar ao Novo Banco.

A ministra das Finanças, que esteve sob fogo da oposição de esquerda - que acusou em uníssono o Governo de estar a usar dinheiro dos contribuintes para "salvar o banco" e de "há 15 dias" ter dito que o BES era "um banco sólido" - reconheceu que, só depois de conhecidos os últimos factos sobre o banco, nomeadamente os prejuízos divulgados, alterou "materialmente" a avaliação sobre o BES.

No debate de urgência da Comissão Permanente, pedido pelo grupo parlamentar do Partido Socialista, sobre as medidas anunciadas pelo Banco de Portugal (BdP) para resolver a crise que se verifica no Banco Espírito Santo (BES), Maria Luís Albuquerque defendeu que "os contribuintes receberão de volta o montante" do empréstimo.

A ministra afirmou então que "não há risco neste empréstimo". Esta frase foi ilustrada por muitos apartes de deputados da oposição, nomeadamente João Oliveira, do PCP, e Alberto Martins, do PS, que questionavam a afirmação de Maria Luís. "Quem avaliou, quem diz isso", perguntou várias vezes o líder parlamentar comunista.

O BPN foi a arma de arremesso dos partidos da maioria e da ministra para atacar os socialistas. O líder da bancada do PS refutou a comparação notando que só depois da "nacionalização" do BPN foram criados, pelo BCE, instrumentos que abririam outras alternativas. "Não venham com fantasmas que não existiam no tempo do BPN, existem agora e não foram usados a tempo", apontou Alberto Martins.

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