Morreu Vítor Crespo, ex-presidente da AR

Maluda foi a pintora a escolhida por Vítor Crespo para, em 1997, desenhar o seu retrato oficial como presidente da Assembleia da República, cargo que ocupou de agosto de 1987 a novembro de 1991. Vítor Pereira Crespo morreu, ontem, aos 81 anos.

A primeira mensagem de condolências partiu da atual presidente do Parlamento, Assunção Esteves, lamentado "profundamente a morte do Professor Doutor Vítor Crespo", classificando-o como "cidadão ativo sempre presente" e considerando "uma honra vê-lo incluído na história dos Presidentes da Assembleia da República".

Enquanto presidente da Assembleia da República, Vítor Crespo deu a palavra a um não eleito no plenário: "Tem a palavra o senhor professor doutor Rui Alarcão, cancelário reitor da Universidade de Coimbra." Foi com estas palavras que o presidente da Assembleia da República chamou ao púlpito da sala de plenários do Parlamento o reitor de Coimbra, para se dirigir aos deputados, na reunião plenária de 13 de novembro de 1990. O motivo eram os 700 anos da universidade e a câmara reunia-se para essa "sessão solene comemorativa". Rui Alarcão iniciou a sua intervenção sublinhando o "ineditismo" do convite.

Vitor Crespo, formado em Ciências Físico-Químicas, e catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, foi eleito deputado pelo PSD pela primeira vez em 1979. Na nota biográfica disponível no sítio do Parlamento na internet, adianta-se que até 1988 foi vice-presidente do PSD.

Entre os vários cargos públicos que ocupou estão os de embaixador e representante permanente de Portugal junto da UNESCO, em Paris, em 1984 e 1985, e ministro da Educação e Ciência (VI e VII governos constitucionais) e da Educação e das Universidades, no VIII governo constitucional.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, lamentou, ontem, a morte do ex-presidente da Assembleia da República Vitor Crespo, descrevendo-o como uma "figura de grande relevo" que enriqueceu a vida do país e deixou um "legado de invulgar dimensão".

"Nesta hora de pesar, o primeiro-ministro evoca a memória de uma figura de grande relevo, que dedicou a sua vida ao serviço público, quer através de uma ilustre carreira académica, quer com uma profícua atividade política que o levou a ocupar lugares de destaque, como militante e dirigente do PSD, deputado e presidente da Assembleia da República, e ministro responsável pela área da Educação e Ciência em três Governos Constitucionais", refere a mensagem enviada à Lusa pelo gabinete do chefe do executivo.

Depois de endereçar as condolências à família do ex-presidente do parlamento, Passos Coelho recorda que Vitor Crespo "foi merecidamente agraciado com as mais altas ordens honoríficas nacionais". "O primeiro-Ministro presta assim homenagem a um português que em muito contribuiu para o enriquecimento da vida do nosso País e que nos deixa um legado de invulgar dimensão", concluiu Passos Coelho na mensagem enviada. A família do ex-presidente da AR ainda não tomou qualquer decisão relativamente às cerimónias fúnebres.

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