Moedas vai trabalhar de perto com PM eslovena

O comissário europeu designado por Portugal, Carlos Moedas, que viu esta quarta-feira ser-lhe atribuída a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, irá trabalhar em estreita colaboração com a vice-presidente para a União Energética, a ainda primeira-ministra eslovena, Alenka Bratusek.

Bratusek é, curiosamente, uma das comissárias designadas que poderá sentir particulares dificuldades para ver o seu nome aprovado pelo Parlamento Europeu, face à controvérsia em torno do processo da sua designação: a primeira-ministra cessante é muito criticada na Eslovénia pela forma como se designou a si própria, sem apoio de qualquer partido, sendo por isso a sua audição perante o Parlamento Europeu aguardada com expetativa.

De acordo com o complexo organograma da "Comissão Juncker", que está a ser anunciado hoje de manhã em Bruxelas, o futuro executivo comunitário apresenta como grande novidade, em comparação com os executivos liderados por José Manuel Durão Barroso ao longo dos últimos 10 anos, sete vice-presidências, com coordenações de áreas específicas.

A vice-presidente Bratusek, apontou Juncker, irá dirigir e coordenar em particular o trabalho dos comissários para a Investigação, Ciência e Inovação (Carlos Moedas), para a Ação Climática e Energia, para os Transportes e Espaço, para o Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME, para o Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, e, por fim, para a Agricultura e Desenvolvimento Regional.

Carlos Moedas, 44 anos, terá a seu cargo, ao longo dos próximos cinco anos, uma pasta diretamente relacionada com aquele que é o maior programa orçamental gerido pela Comissão, o "Horizonte 2020".

Concebido para os próximos sete anos (2014-2020), o "Horizonte 2020", o maior programa público de apoio à investigação e à inovação do mundo, está dotado com um orçamento de praticamente 80 mil milhões de euros, o equivalente a 8% do orçamento comunitário, e é considerado um instrumento fundamental para um novo ciclo de recuperação económica e a criação de emprego na Europa.

Moedas vai gerir duas das maiores direções-gerais da Comissão Europeia, a Direção-geral da Investigação e Inovação e o "Joint Research Centre", com cerca de 3.000 funcionários.

A "Comissão Juncker" deverá entrar em funções a 01 de novembro próximo, depois do voto do Parlamento Europeu, que irá conduzir, já em setembro, audições a cada um dos comissários designados.

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