Ministra ainda tem "fé" que chova em breve

A ministra da Agricultura diz que tem "fé" que chova nas próximas semanas e assim diminuam os efeitos da seca, acrescentando que, porém, o Governo já está a fazer "um levantamento" do impacto do problema para acionar ajuda europeia.

"Sem termos um levantamento detalhado e objetivo das várias situações que estão a ser vividas, não conseguimos acionar mecanismos europeus nessa matéria", disse hoje Assunção Cristas na comissão parlamentar de Agricultura, em resposta a questões dos deputados, que quiseram saber o que está a fazer o Governo em relação ao impacto da falta de chuva no setor agrícola.

"Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de atuar em conformidade", acrescentou a ministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do Ordenamento do Território.

Assunção Cristas repetiu várias vezes que o Governo já criou há várias semanas uma "task force", que integra diversos organismos oficiais, que estão por sua vez em contacto com as associações do setor, para "monitorizar", "sinalizar" e "fazer a previsibilidade dos prejuízos" relacionados com os efeitos da seca na Agricultura, recusando a ideia de que não considerar este problema grave, como afirmaram os deputados socialistas.

"Esta 'task force' foi constituída muito antes de toda a gente falar da seca", sublinhou.

Sobre um pedido de ajuda europeia, Assunção Cristas afirmou que "só com mais informação" se poderá acionar qualquer mecanismo, mas garantiu que o Governo fará os levantamentos necessários "rapidamente".

A ministra garantiu que levará o assunto ao próximo conselho europeu de Agricultura.

"Mas só mais para a frente, e no decurso da evolução da situação, poderemos formalizar esse pedido", acrescentou.

Assunção Cristas disse que o grupo de trabalho que criou "já sinalizou algumas situações" e o que o setor que está "a sofrer mais" com a seca é a produção animal, onde há já casos de falta de pastagens, pelo que os animais estão a ser alimentados à mão, com fenos e palhas que estavam reservadas para o verão.

Há ainda culturas de inverno que serão seriamente afetadas se não chover nas próximas semanas e outras que ficarão "mais vulneráveis a pragas", existindo "já um plano de prevenção" em relação a este último problema.

A ministra da Agricultura referiu ainda que o objetivo é este grupo de trabalho produzir relatórios de acompanhamento da situação a cada quinze dias, os quais poderão porém tornar-se semanais se as condições se agravarem.

Além de acionar mecanismos europeus de ajuda, o Governo está ainda a estudar criar "medidas administrativas, como a flexibilização de algumas exigências" relacionadas com a produção animal, afirmou.

Cristas defendeu ainda que é preciso deixar de olhar para o problema da seca de "forma episódica", acrescentando que os dados parecem revelar uma tendência para fenómenos de seca a cada cinco anos em Portugal.

Nesse sentido, acrescentou, o ministério que tutela pondera criar sistemas permanentes de estudo, monitorização e antecipação deste problema.

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