Merkel diz que quer "Portugal feliz"

Chanceler alemã e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeitam renegociação do acordo com a troika. Passos até diz que nunca lastimará o preço que terá que pagar para Portugal sair da crise

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e a chanceler alemã, Angela Merkel, rejeitaram, hoje, qualquer iniciativa para renegociar o atual memorando com a troika. Ambos consideraram, numa conferência de imprensa no forte de São Julião da Barra, que para Portugal sair da crise, primeiro são necessárias medidas de equilíbro orçamental e só depois outras mais voltadas para o crescimento. Ainda assim, Angela Merkel admitiu que políticas de austeridade em vários países da Europa podem levar a recessão à própria Alemanha, já que 60% das suas exportações são para o mercado europeu.

Quer Passos Coelho, quer Angela Merkel mostraram-se avessos aos discurso da renegociação do memorando. "Não podemos passar o dia a duvidar daquilo que fizemos ontem", declarou Merkel, acrescentando: "O programa está a ser cumprido de forma excelente". Angela Merkel colocou-se como apoiante de Portugal no que diz respeito às medidas de equilíbrio orçamental, dizendo que fará tudo para que "Portugal seja feliz"

Pedro Passos Coelho voltou a reafirmar o seu empenho no cumprimento do memorando com a troika: "Se a opinião do Governo fosse a de que era necessário renegociar o memorando isso significaria um falhanço do nosso processo de ajustamento", disse, considerando em seguida que um novo acordo com a troika imnplicaria mais medidas de austeridade.

O primeiro-ministro e a chanceler alemã, depois de um almoço e da conferência de imprensa, partiram para o Centro Cultural de Belém para um encontro empresarial luso-alemão

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