Menezes diz que "nada há a esperar" de Mário Nogueira e pede limitação de mandatos sindicais

O social-democrata Luís Filipe Menezes afirmou hoje que "nada há a esperar" de dirigentes sindicais mais antigos, como o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, e exortou os sindicatos a adotarem nos seus estatutos o princípio da limitação de mandatos.

Menezes reagiu deste modo a declarações de Mário Nogueira, que aconselhou o primeiro-ministro a emigrar, depois de este ter admitido que os professores portugueses podem encontrar no mercado de língua portuguesa uma alternativa ao desemprego em Portugal.

"Em democracia a diferença é um bem absolutamente necessário, mas de dirigentes da FENPROF e de outros dirigentes ligados a alguns movimentos sindicais, nomeadamente de extrema-esquerda, nada há a esperar", afirmou o conselheiro de Estado e autarca de Gaia, em declarações à agência Lusa.

"Há 35 anos que dizem as mesmas coisas, nunca os vi assinar um único acordo de concertação social ou um acordo de convergência com governos. Vejo-os ainda permanentemente ligados a uma ideologia do século XIX, que já acabou e não volta mais, ainda ligados aos arquétipos do estalinismo e do leninismo", assinalou.

Para Menezes, a postura destes sindicalistas "quase que daria para fazer deles uma espécie de atração turística" enquanto "sobreviventes de um padrão de comportamento e atitude que já não existe em parte nenhuma, a não ser na Coreia do Norte e já nem em Cuba".

Menezes desafiou, por isso, os sindicatos a promoverem alterações estatutárias de forma a limitar os mandatos dos seus dirigentes.

"Era uma boa medida usar o exemplo da limitação de mandatos para os dirigentes sindicais", disse, citando "exemplos de renovação" como os evidenciados pela indigitação de jovens para primeiro-ministro e líder da oposição, a limitação de mandatos nas autarquias e a nomeação de jovens quadros para empresas públicas de alta responsabilidade.

Numa referência às declarações que levaram Mário Nogueira a pedir ao primeiro-ministro que emigrasse, Menezes disse que houve uma "distorção voluntária e imprópria" do afirmado por Pedro Passos Coelho.

"O primeiro-ministro não falou, em sentido lato, em estimular os professores jovens a emigrar. Falou, e em meu entender muito bem, que há, para determinadas áreas técnicas, um grande espaço, o da Lusofonia, de cooperação e emprego com vantagens recíprocas", disse.

Trata-se, segundo afirmou, de seguir os exemplos dos espaços da Francofonia e da Anglofonia, nos quais "existem políticas proativas de emigração periódica de quadros técnicos em início de carreira para serem a grande âncora de políticas de cooperação".

Para Menezes, "mesmo que Portugal não tivesse dificuldades de emprego para esse tipo de técnicos, deveria ter tal proatividade".

E isso é, assinalou, "uma questão completamente diversa daquela que procura ser colocada na boca do primeiro-ministro".

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