Mário Soares pede "democracia a sério"

O antigo Presidente da República Mário Soares pediu hoje "democracia a sério", reiterando críticas às medidas de austeridade protagonizadas pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP, que diz estarem a desmantelar o "Estado-Saúde".

"O que é preciso é haver democracia a sério, não destruírem o Estado-Saúde e não fazerem isto que estão a fazer às pessoas, que estão todas a morrer à fome e desesperadas", afirmou, à margem de outra de uma série de homenagens a históricos socialistas, na fundação com o nome do ex-Chefe de Estado.

O fundador do PS recusou comentar a polémica em torno da venda, entretanto suspensa, da coleção estatal de 85 obras plásticas do artista catalão Joan Miró, oriundas do nacionalizado BPN, mas precisou a sua teoria sobre a influência crescente do poder na Comunicação Social.

"Os jornalistas estão numa situação muito difícil, eu compreendo isso. Ou dizem o que os patrões querem e os leitores desaparecem ou não dizem porque têm medo dos patrões, mas quem se lixa são os patrões porque não têm suficientemente gente que vote neles", disse.

Num artigo de opinião publicado na terça-feira no Diário de Notícias, Soares afirmara ter percebido que "alguns jornalistas estavam a ser comprados pelo Governo, direta ou indiretamente", especificando que "simplesmente mudaram de ideologia e de sentido para agradar a quem lhes pagava".

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Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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Maria Antónia de Almeida Santos

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De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.