Mário Soares pede "democracia a sério"

O antigo Presidente da República Mário Soares pediu hoje "democracia a sério", reiterando críticas às medidas de austeridade protagonizadas pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP, que diz estarem a desmantelar o "Estado-Saúde".

"O que é preciso é haver democracia a sério, não destruírem o Estado-Saúde e não fazerem isto que estão a fazer às pessoas, que estão todas a morrer à fome e desesperadas", afirmou, à margem de outra de uma série de homenagens a históricos socialistas, na fundação com o nome do ex-Chefe de Estado.

O fundador do PS recusou comentar a polémica em torno da venda, entretanto suspensa, da coleção estatal de 85 obras plásticas do artista catalão Joan Miró, oriundas do nacionalizado BPN, mas precisou a sua teoria sobre a influência crescente do poder na Comunicação Social.

"Os jornalistas estão numa situação muito difícil, eu compreendo isso. Ou dizem o que os patrões querem e os leitores desaparecem ou não dizem porque têm medo dos patrões, mas quem se lixa são os patrões porque não têm suficientemente gente que vote neles", disse.

Num artigo de opinião publicado na terça-feira no Diário de Notícias, Soares afirmara ter percebido que "alguns jornalistas estavam a ser comprados pelo Governo, direta ou indiretamente", especificando que "simplesmente mudaram de ideologia e de sentido para agradar a quem lhes pagava".

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.