Macedo demite-se por ter "autoridade política diminuída"

Miguel Macedo demitiu-se este domingo. Diz ter a "autoridade política diminuída". E quer "defender o Governo, a autoridade do Estado e a credibilidade das instituições".

Numa curta declaração, no Ministério da Administração Interna, Miguel Macedo sublinhou nada ter a ver com o processo dos vistos dourados, mas admitiu que no plano político, um ministro com a tutela das polícias não poderia continuar a exercer a função diminuído na sua autoridade. "O MAI, pelas funções que exerce, tem ter sempre forte autoridade para exercício pleno do cargo".

"Não assumo qualquer culpa. Não sou pessoalmente responsável por nada nestas investigações!" - afirmou Macedo. Tal como lembrou não ter qualquer papel administrativo na atribuição de vistos gold.

Miguel Macedo disse ter ponderado a demissão durante todo o fim-de-semana a pedido do primeiro-ministro, que já aceitou a sua demissão.

Macedo terá conversado com o primeiro-ministro logo no dia das detenções e apesar de ter garantido nada ter a ver com o caso, admitiu a demissão do cargo. Passos Coelho, desta vez, não conseguiu travar a decisão de Miguel Macedo.

A declaração surge três dias depois de, na quinta-feira, a Polícia Judiciária ter detido 11 pessoas suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, relacionados com a atribuição de vistos 'gold'.

No âmbito da chamada "Operação Labirinto", até ao momento, foram ouvidos seis dos 11 detidos, pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, entre as quais o diretor do SEF (acusado de dois crimes de corrupção passiva devido a uma escuta e a duas garrafas de vinho), dois funcionários do IRN e três cidadãos chineses, estando a decorrer a audição de um empresário português, segundo fontes próximas do processo.

As medidas de coação só deverão ser decididas quando terminar a audição dos 11 detidos.

Ao longo da investigação, o chefe das secretas foi identificado em vigilância da PJ a jantar com suspeitos, revelou no sábado o jornal "Expresso".

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