"Livre" vai ser o novo partido "no meio da esquerda"

Rui Tavares reuniu cerca de 150 pessoas para debater um "espaço de liberdade" que visa agregar os que "não se sentem representados". Ideia do eurodeputado passa por conseguir "convergências à esquerda" e a recolha de assinaturas para formalizar a nova força partidária junto do Tribunal Constitucional já começou.

"Um espaço de liberdade". É desta forma que Rui Tavares vê aquele que será o novo partido que está a ser criado em Portugal. Este sábado, o eurodeputado juntou cerca de centena e meia de pessoas no Teatro São Luiz, em Lisboa, para debater aquilo que, para já, define como "uma vontade de partido", mas para o qual já foi aprovado um nome - "Livre - Liberdade, Esquerda, Europa e Ecologia" - e até um símbolo: uma papoila vermelha

O independente, eleito para o Parlamento Europeu em 2009 na lista do BE, vincou aos jornalistas e durante a reunião preparatória que a ideia não assenta em criar "mais um novo partido" mas, antes, "um partido do tipo novo", recusando "taticismos", "política por convite" e "decisões nos corredores ou em mesas de restaurantes".

Quanto ao posicionamento da força, Rui Tavares defende que seja "no meio da esquerda", isto é, entre o PS, de um lado, e o PCP e o BE, do outro, ocupando um "lugar onde está muita gente descontente, impaciente e independentes com muitíssimo valor".

"É uma retaguarda de eleitores de esquerda, que saem à rua tantas vezes, uma de pessoas que já votaram no PCP, que já votaram no BE, que já votaram no PS", mas que neste momento sentem que não têm representação", afirmou, mostrando desde logo disponibilidade para "alcançar convergências" com esses partidos.

A declaração de princípios, o nome ["Livre"] e o símbolo [papoila vermelha, que ilustrava a paz durante I Guerra Mundial e também a liberdade] foram aprovados na reunião preparatória por "larga maioria" e Rui Tavares adiantou que ainda este sábado à noite ou no domingo de manhã a declaração de princípios estará disponível em www.livrept.net.

O eurodeputado diz agora que ficou decidido "prosseguir caminho a partir destes pontos", no arranque de um partido que, segundo as suas palavras, "tem quatro grandes pilares: liberdade, esquerda, Europa e ecologia".

"Não sendo uma apresentação oficial, nem ainda uma assembleia constitutiva do partido - que deverá ocorrer no início de dezembro -, demonstrou a vontade destas pessoas em prosseguir caminho", sublinhou.

Ao abrigo da lei, a "inscrição de um partido político tem de ser requerida por, pelo menos, 7500 cidadãos eleitores" junto do Tribunal Constitucional.

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