João Semedo quer alterar lei sobre cobertura da campanha

O cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Lisboa, João Semedo, lamentou hoje as condições em que decorreu a cobertura mediática da campanha eleitoral e prometeu defender uma alteração à lei no parlamento.

João Semedo, coordenador nacional do BE, considerou que na campanha para as eleições autárquicas de domingo reduziu-se "o debate, a pluralidade, o confronto de pontos de vista e a apresentação de propostas e de programas diferentes".

"Provavelmente, isto contribuirá para que os lisboetas não acorram às urnas como seria desejável numa democracia. Desejo que [a abstenção] seja inferior, mas todos seremos obrigados a pensar que parte da abstenção tem a ver com a forma como as televisões e alguns jornais esconderam a campanha eleitoral".

A menor cobertura mediática "só beneficiou os candidatos do Governo e dos partidos com maiores recursos financeiros", nomeadamente as candidaturas a Lisboa de António Costa (PS) e de Fernando Seara (PSD/CDS-PP), duas das três campanhas com mais recursos financeiros a nível nacional.

Semedo, que é também deputado, defendeu que o "parlamento tem de encontrar uma solução" e afirmou que "seguramente o Bloco de Esquerda dará o seu contributo".

O candidato bloquista falava depois de percorrer várias linhas de Metro, num dia dedicado aos transportes públicos, que disse ser "o terceiro problema mais grave" da capital, além da habitação e da resposta social.

João Semedo considera que, "atualmente, quem manda nos transportes de Lisboa é o Governo e a Câmara tem um papel secundaríssimo", propondo a criação de uma empresa mista, constituída pelo município e pelo Estado, que integre a Carris e o Metro.

O BE defende a redução do preço do tarifário dos autocarros e metro, o regresso dos passes para estudantes, jovens e terceira idade.

Repor a frequência "de certos percursos" que a Carris suspendeu e retomar a rede da madrugada são medidas que Semedo sugere. Quanto ao Metro, o candidato quer a modernização da rede e a expansão das linhas até à Alta de Lisboa e Alcântara, zonas "muito habitadas e com muitas dificuldades de transportes".

Concorrem à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de dia 29 o PS (António Costa), a coligação PSD/CDS-PP/MPT (Fernando Seara), CDU (João Ferreira), BE (João Semedo), a coligação PPM/PPV/PND (Nuno Correia da Silva), PCTP/MRPP (Joana Miranda), PTP (Amândio Madaleno), PAN (Paulo Borges) e PNR (João Patrocínio).

A Câmara de Lisboa é atualmente composta por oito vereadores da lista do PS (três de movimentos independentes), sete eleitos pela coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM e um pela CDU.

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