João Ferreira desvaloriza promessas de Seguro

Cabeça de lista da CDU às europeias fala em "silêncio de chumbo" em relação à necessidade de diminuir o volume de impostos e em "devolver os rendimentos" retirados aos portugueses.

João Ferreira não acredita nas promessas do PS de alívio da carga fiscal. Pelo menos, a julgar pela reação deste domingo aos 80 compromissos apresentados na véspera por António José Seguro, para o caso de os socialistas chegarem ao Governo no próximo ano. O cabeça de lista da CDU às europeias do próximo dia 25 diz que o documento "Contrato de confiança" deve ser lido por aquilo "que lá é dito, mas também pelo que não é", pelo que lhe aponta ambiguidades e insuficiências e fala mesmo em "silêncio de chumbo" sobre devolução dos rendimentos que foram retirados aos portugueses.

Contrapondo os pontos 27 e 28 do documento, o eurodeputado destaca que Seguro diz, por um lado, que "não vai aumentar a carga fiscal" e, por outro, que "não vai reduzir mais os rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas". Porém, para João Ferreira, é preciso mais. Mais do que compromisso para não aumentar a carga fiscal, é preciso aliviá-la sobre a generalidade dos portugueses, agravando a tributação das maiores fortunas.

Confrontado pelos jornalistas sobre se não estaria a analisar o documento "pela metade", insistiu que há sectores sobre os quais o aumento de impostos pode ser feito, colocando um ponto final nos "cortes diretos e indiretos" dos trabalhadores.

O cabeça de lista da coligação PCP/PEV recusa, por isso, que estejamos perante um programa de alívio da carga fiscal e sobre a eliminação da contribuição de sustentabilidade, a que Seguro chamou "TSU dos pensionistas", deixou uma certeza: "Um coelho da cartola" que o líder socialista está a tentar sacar. "Uma medida muito particular", notou.

Já quanto à possibilidade de o documento poder constituir um primeiro passo para uma aproximação entre socialistas e comunistas, João Ferreira assinalou que o partido "rosa" está preso ao tratado orçamental e foi contundente: "Não é possível pelos compromissos que ali [no "Contrato de Confiança"] são assumidos."

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