Jerónimo: "Drama do primeiro-ministro é persistir no erro"

Secretário-geral do PCP comentou as declarações de sábado do primeiro-ministro, observando que "pôr os portugueses a pão e água não vai resolver os problemas nacionais".

Para Jerónimo de Sousa, Pedro Passos Coelho não fez mais do que "justificar e tentar contornar a realidade" quando na noite de sábado afirmou existir um "preconceito" dos mercados em relação a Portugal, face à subida das taxas de juro da dívida soberana, superiores, por exemplo, que as da Irlanda.

No entender do líder comunista, este domingo em campanha pela CDU no distrito de Beja, o primeiro-ministro reconheceu apenas uma realidade transversal "à maioria dos portugueses", que são os efeitos da "armadadilha da dívida", sublinhando que há dois anos o seu partido alertou para a necessidade de "renegociar a dívida - prazos, montantes e juros", bem como "procurar novas fontes de financiamento". "Infelizmente, não fomos ouvidos...", lamentou.

Por isso, as palavras do chefe do Governo e líder do PSD, na véspera, não surpreendem Jerónimo, que defende assim uma inversão de caminho: "O drama da afirmação do primeiro-ministro não é o reconhecimento do erro - dizer que tentaram é perfeitamente legítimo -, o problema é dizer que vão persistir neste rumo para o desastre. Podem impor a austeridade que quiserem, podem pôr os portugueses a pão e água, que não vão resolver os problemas nacionais."

Recorde-se que na noite anterior Passos Coelho vincara, num jantar de campanha dos sociais-democratas, que a revisão dos regimes excecionais de pensões seria fundamental para evitar um segundo pedido de ajuda financeira, reiterando o empenho do Governo em cumprir as exigências internacionais.

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