Jerónimo contra "lamúrias" quer saber onde vão ser os cortes

Jerónimo de Sousa pressionou ontem o Governo a revelar "qual é o mal que quer fazer aos reformados e pensionistas", apelando ao primeiro-ministro para que "se deixe de lamúrias" e revele antes quais são os cortes que estão na calha na despesa do Estado, apesar das eleições autárquicas estarem à porta.

Segundo o líder comunista, Pedro Passos Coelho está condicionado pelo ato eleitoral de 29 de setembro, pelo que se limita a falar "meia-verdade", quando devia concretizar o que entende "por esse guião do FMI que pretende uma nova ofensiva no plano laboral e no plano salarial?". "É corte, é taxa? Sim ou não, vai levar a um novo assalto nas reformas e nas pensões?", questionou, admitindo que o Governo "procura dar boas notícias, quando não existem notícias boas para dar".

E deu mais exemplos sobre outras "meias-verdades": "O que é que o primeiro-ministro diz em relação à ameaça de cortes em relação à Saúde, à Educação, à proteção social?", perguntou o secretário-geral do PCP, durante um encontro com jornalistas que ontem teve lugar à mesa de um café em plena Festa do Avante (Seixal).

Já com a Quinta da Atalaia repleta, Jerónimo de Sousa abordou as eleições autárquicas, precisamente num concelho onde a CDU conhece um dos principais desafios no distrito de Setúbal, onde detém hegemonia, após a saída do "dinossauro" Alfredo Monteiro e a candidatura de Joaquim Santos, que deixa a oposição à espreita.

De resto, a questão da limitação de mandatos seria tema em foco, com Jerónimo de Sousa a recordar ter sido contra a lei e a congratular-se com as clarificações do Tribunal Constitucional. "Cabe aos eleitores escolherem que autarcas querem. Não está na mão do legislador", referiu, dirigindo-se ao Bloco de Esquerda, a quem acusou de se ter "aproximado perigosamente desse movimento reacionário e protofascista, que procura ganhar na secretaria aquilo que não conseguem no terreno junto das populações". Jerónimo não vê necessidade de qualquer clarificação sobre o tema, como propõe o BE.

Por entre a música que "invadia" a tarde no Avante, enquanto as filas já se acumulavam na visita à exposição sobre o centenário de Álvaro Cunhal, no Espaço Central, ficou ainda a saber-se que a CDU vai concorrer a 301 municípios e 1700 freguesias - mais 86 do que em 2009 - tendo ficado de fora sete câmaras dos Açores. O líder do PCP anunciou 12 mil candidatos independentes pela CDU, que representam um terço do total, avançando que não tem metas traçadas, mas espera alcançar mais votos e mais mandatos.

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