Jardim recandidata-se para pôr fim a "golpada"

Alberto João Jardim recandidata-se à liderança do PSD-M contra o que diz ser a "golpada" urdida pelos "adversários" do partido e, caso não vença a corrida, confessa que assistirá, comodamente sentado em casa, "ao arraial" que se seguirá.

"O que está em jogo foi que os adversários do PSD-M perceberam que o PSD da Madeira só é derrotável por dentro", disse Jardim em declarações à agência Lusa, a propósito das eleições diretas no partido que se realizam na sexta-feira e em que terá Miguel Albuquerque como adversário.

"Aproveitando o facto do presidente cessante da Câmara Municipal do Funchal não poder ser eleito mas querer continuar na política, tudo o que é oposição e tudo o que são interesses económicos do passado, nomeadamente os ingleses se mobilizou para, um ano e pouco depois do Congresso Regional, um ano depois de o atual Governo Regional ter sido eleito para um mandato de quatro anos e ter maioria absoluta na Assembleia Legislativa da Madeira, tentar derrubar a atual direção regional do PSD e fazer eleições antecipadas para trazer a oposição à área da governação madeirense", acusa.

O presidente do PSD-M desde 1976 justifica a sua recandidatura para responder ao que chama de "golpada " dos seus adversários.

"Eu antecipei-me e convoquei um congresso antecipado para se resolvo isto de uma vez porque não é em ano de eleições que vamos andar a brincar aos partidos", sublinha.

O também presidente do Governo Regional desde março de 1978 confessa que "o cenário que estava preparado era, no final de 2014 princípio de 2015, o PSD-M fazer um congresso em que iria escolher o novo líder do partido que seria o candidato do PSD-M às eleições regionais de outubro de 2015".

"Antes que isso acontecesse, desencadeou-se esta golpada no sentido de rebentar o PSD-M por dentro", criticou.

Questionado se a sua estratégia para o partido não foi a mais correta, o mais longevo politico ativo em Portugal responde: "Não falhou nada, antes pelo contrário, penso que eu tive o bom senso de, antes que esta discussão e esta golpada pudesse entrar no ano de 2013, que é um ano de eleições autárquicas, convoquei um congresso para tentar capá-la à nascença".

Ao fim de 36 anos de vida politica, com sucessivas vitórias em eleições regionais e autárquicas e beneficiário de uma quase unanimidade na liderança do partido, Alberto João Jardim é, pela primeira vez, confrontado com a situação inédita de ter de se confrontar com um companheiro de partido, o presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque.

"Nos outros países só se contesta o líder quando o líder está na oposição ou quando perdeu umas eleições. Aqui, a Madeira, tem dessas originalidades, contesta-se um líder que está eleito por maioria absoluta para governar durante quatro anos", refere.

Mas Jardim admite sentir-se pouco confortável com a situação, afirmando: "Magoa, de facto, estas facas nas costas, mas também estas coisas ao sucederem obrigam-nos a refletir sobre a condição humana".

Nega que, uma vez eleito, tenha sugerido que sejam expulsos os seus adversários internos, esclarecendo ter afirmado que "no dia seguinte às eleições, passa uma esponja sobre tudo o que sucedeu".

Contudo, considera que "se a golpada continuar no sentido de tentar destruir o PSD" os seus autores têm de ser afastados sob pena se se manter, em ano de eleições autárquicas, o PSD-M num clima de instabilidade.

Apesar de garantir estar confiante na sua reeleição porque "conhece as bases do partido", Jardim deixa antever o que será a sua vida futura na hipótese de perder a corrida.

"Vou para férias, quem ganhou tem de assumir a liderança do partido, vão dissolver a Assembleia, a Madeira vai andar paralisada meses com eleições e campanhas eleitorais, a oposição vai entrar na área do poder, vai ser um arraial e eu estou, comodamente em casa sentado, a assistir".

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