Jardim não assina plano "inexequível" e não se demite

O Presidente do Governo Regional da Madeira afirmou hoje que não assina nenhum plano de assistência financeira "inexequível" para a região, anunciando que pode acontecer uma "crise política" pela falta do documento.

"O resultado disto, se não se assinar agora, é uma crise política. Mas não é a crise que pretendem em Lisboa, que é o governo se demitir para fazer a vontade aos senhores de Lisboa, porque já lá foi o tempo em que Lisboa escolhia o governador da Madeira. Acabou-se. Aqui é o povo madeirense que escolhe", afirmou Alberto João Jardim, na tomada de posse dos novos órgãos sociais da Associação de Jovens Empresários da Madeira.

Jardim considera que a alternativa à "não assinatura" é a falta de liquidez e a Região cair num descalabro maior, considerando, no entanto, que será maior esse dano "se daqui a seis meses não se conseguir cumprir o acordo".

O governante sugere que "Lisboa" teria um plano para forçar a sua saída da vida política, mas esse plano terá falhado porque "só uma pessoa que não estivesse com a mínima atenção é que não via que havia um plano qualquer no ar", justificando a falha com a sua reeleição nas eleições regionais de outubro de 2011.

Jardim pretende que o Plano de Assistência Financeira à Região seja "possível de ser executado" e garante que só o assina sabendo quais as verbas de que vai poder dispor e quando pode dispor delas.

"Como eu já vi tudo nos últimos meses, desde as eleições para cá, nós podemos estar perante uma rasteira (...) Já viram que se a Região Autónoma da Madeira assina um documento que se vê à partida que é inexequível (...) para daqui a seis meses a comunicação social dizer que a Madeira, mais uma vez, não cumpriu?", questionou.

O responsável explicou muito do que se tem passado à volta das negociações e revelou que, em dezembro, numa altura em que estavam a ser negociadas as primeiras transferências de verbas para a Região, "houve uns burocratas do Ministério das Finanças" que sugeriram ao secretário regional do Plano e Finanças, Ventura Garcês, que "não pagasse os salários de dezembro", ressalvando que não "foram membros do Governo".

Durante cerca de uma hora, Jardim desfiou o que se está a passar com as negociações, acabando com um "até agora estive muito caladinho".

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