Jardim critica quem discorda da revisão constitucional

O presidente do PSD/Madeira criticou ontem os elementos do partido na região que nunca se manifestaram contra o projecto de revisão constitucional que os deputados madeirenses apresentaram e que agora expressam a sua discordância face à iniciativa.

"Foi uma estratégia que vínhamos montando há meses, daí que me surpreenda haver pessoas da comissão política a dizer agora que não concordam, quando antes concordaram ou pelo menos não discordaram", declarou Alberto João Jardim na noite de ontem, depois da reunião da comissão política regional do PSD/Madeira, que durou cerca de uma hora.

Jardim assegurou que este assunto "foi planeado ao longo de meses", debatido em anteriores reuniões e nenhum dos elementos deste órgão dirigente social-democrata insular manifestou qualquer discordância.

"De maneira que todo e qualquer indivíduo que, porventura, ainda pertença à comissão do PSD e venha dizer que não concorda com a apresentação do projecto de revisão constitucional, pelo menos na comissão política, não apresentou qualquer objeção, se não concorda é cá fora", sublinhou o líder madeirense, sem mencionar nomes.

Ontem, num artigo de opinião publicado no DN da Madeira, o candidato à liderança do PSD/M Miguel de Sousa censurou a insistência neste projecto de revisão da Constituição, o documento do "deve e haver", assim como outras declarações de Jardim.

O líder do PSD/M voltou a admitir "não haver ilusões" sobre que o projecto de revisão constitucional apresentado pelos deputados sociais-democratas em São Bento "não vai passar" na Assembleia da República.

"Nós apresentámos o projeto de revisão constitucional para que, mesmo sujeito a censura, os portugueses saibam que na Madeira não aceitamos esta situação, estamos contra o situacionismo dos quatro grandes partidos do regime (PCP, PS, CDS e PSD) e o país ficou a saber que há aqui uma alternativa para a conjuntura situacionista, estagnada, para o impasse em que vive Portugal", argumentou.

Jardim insistiu que "esta estratégia montada" pelo PSD/M incluiu a apresentação quase simultânea do levantamento do "deve e haver das finanças" entre o Estado português e a região, para "deitar por terra a mentira posta a circular do despesismo da Madeira, quando foi a Madeira que foi roubada durante séculos".

O responsável do PSD/M adiantou que esta situação "não vai ficar por aqui", pois o partido pretende que a mensagem chegue gradualmente ao país.

O também presidente do Governo Regional referiu ter explicado aos elementos da comissão política os motivos da sua ausência do Conselho de Estado convocado pelo Presidente da República e a sua posição sobre o tema deste encontro.

"Congratulei-me com a posição do último conselho regional da JSD/M no sentido de dar liberdade de voto aos militantes nas próximas eleições internas do PSD" no final do ano, mencionou Jardim.

Na reunião de ontem à noite, a comissão política também debateu a necessidade de, no período de férias, nas sete das onze câmaras da Madeira em que o PSD se tornou oposição, os elementos do partido "não poderem ficar quietos".

AMB // ARA

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

E uma moção de censura à oposição?

Nos últimos três anos, o governo gozou de um privilégio raro em democracia: a ausência quase total de oposição. Primeiro foi Pedro Passos Coelho, que demorou a habituar-se à ideia de que já não era primeiro-ministro e decidiu comportar-se como se fosse um líder no exílio. Foram dois anos em que o principal partido da oposição gritou, esperneou e defendeu o indefensável, mesmo quando já tinha ficado sem discurso. E foi nas urnas que o país mostrou ao PSD quão errada estava a sua estratégia. Só aí é que o partido decidiu mudar de líder e de rumo.

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.