"Irresponsabilidade é a submissão e o servilismo"

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre saiu hoje em defesa das controversas declarações proferidas pelo dirigente socialista Pedro Nuno Santos sobre pagamento da dívida, dizendo que irresponsabilidade "é o servilismo e seguidismo" face ao actual projecto da Alemanha. (Oiça em cima as declarações de Pedro Nuno Santos à Radio Paivense).

Pedro Nuno Santos, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, defendeu sábado à noite, em Castelo de Paiva, que Portugal devia ameaçar deixar de pagar a dívida nacional.

"Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. As pernas dos banqueiros alemães até tremem", disse na altura em declarações captadas pela Rádio Paivense FM e retransmitidas hoje pela Renascença.

Confrontado com o teor desta posição, Manuel Alegre recusou à agência Lusa que se esteja perante "um escândalo" político.

"Pelo contrário, acho que estamos muito de joelhos e é uma questão de dignidade dar um grito de alma. Portugal deve tentar pagar a dívida, mas não deve aceitar estar de joelhos, transformando-se numa colónia dos bancos alemães e da Alemanha", disse.

Para Manuel Alegre, "a Alemanha parece ter de novo um projecto imperial".

"E é bom que haja novos quadros [do PS], gente jovem, como é o Pedro Nuno [Santos], a soltar estes gritos de alma. Precisamos de gente assim, com determinação e com garra para a democracia", sustentou.

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre fez ainda questão de se demarcar da corrente dos socialistas que considerou irresponsável a posição assumida pelo vice-presidente da bancada socialista, sobretudo face a eventuais consequências no plano diplomático.

"Irresponsabilidade é a abdicação, irresponsabilidade é a sujeição, a submissão, o servilismo e o seguidismo", contrapôs.

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