Há vida depois de Belém? Cavaco já projeta livro

Presidente vai escrever as memórias e mantém-se num edifício cor-de-rosa. Especialistas acreditam no regresso do "professor".

A libertação de Cavaco Silva tem data marcada: março do próximo ano. Para o day after ao fim do mandato, o atual Presidente ainda só antecipou uma atividade: o regresso à escrita autobiográfica. "Escreverei as minhas memórias depois de março de 2016."

Mas que caminhos se abrem quando se deixa de ser a primeira figura da nação? Na Presidência o silêncio continua a ser de ouro, pelo que o DN traçou os caminhos de Cavaco com os "videntes" da política: os politólogos.

O regresso à vida académica, de conferencista e colunista pontual em jornais (com artigos ao estilo da "má moeda" como o que ajudou a fazer cair Santana) são as hipóteses em aberto que melhor correspondem ao perfil do atual Presidente. Cavaco vai andar por aí.

O regresso do professor Cavaco

O politólogo José Adelino Maltez explica que "em Portugal todos os ex-presidentes adquirem um estatuto, que faz que sejam ouvidos após o fim do mandato". Cavaco Silva não vai ser exceção.

Tendo em conta o perfil, o professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas acredita que o atual Chefe do Estado pode retomar a carreira de professor universitário: "Pode dar aulas até aos 90 anos e, de vez em quando, sairá uma análise sobre o mundo."

Além disso, Adelino Maltez considera que Cavaco tem "um vício de professor de economia de comentar a conjuntura económica e está desejoso de fazê-lo. Vai surpreender os que pensam que está morto, pois vai ter intervenção nessa área".

O politólogo acredita ainda que Cavaco continuará a escrever artigos em jornais, pelo menos após um pequeno período de nojo do cargo. "O rei Juan Carlos saiu há um ano e calou-se. Cavaco também tem tendência a num primeiro momento calar-se, mas é um homem muito analítico e, depois do silêncio, vai ser interventivo."

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