Governo eliminou intencionalmente ligação à SLN

O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) disse hoje que alguém do Governo eliminou do currículo de Franquelim Alves, de forma "premeditada" e intencional", a sua passagem pelo grupo SLN, que foi dono do BPN.

O secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, garantiu, na noite de quinta-feira, em entrevista ao programa "De Caras", da RTP1, que, no currículo que entregou ao Governo, constava a sua passagem pela SLN - Sociedade Lusa de Negócios, acrescentando que discutiu essa experiência com o ministro da Economia.

"Isso significa que alguém do Governo eliminou essa parte do currículo com a intenção de a esconder. Foi premeditado e intencional, seguramente", afirmou João Semedo, à agência Lusa, após uma iniciativa pública com bloquistas em Vila Franca de Xira.

"Não acredito que haja algum membro do Governo que julgue que os portugueses iam aceitar tranquila e pacificamente que se nomeasse secretário de Estado um cidadão que, durante o tempo em que esteve no BPN/SLN, limitou-se a fazer parte de uma estratégia de ocultação da fraude e das suas consequências", acrescentou o dirigente do BE.

João Semedo afirmou ainda que o novo secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação tem falta de "idoneidade" para ocupar o cargo, depois de ter passado pela SLN/BPN.

O coordenador do BE já tinha pedido, no Parlamento, a demissão Franquelim Alves e do ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, e voltou hoje a lançar o repto.

"Se Franquelim Alves devia ser demitido pelo currículo, o ministro devia ser demitido por ter feito esta escolha".

João Semedo explica uma segunda razão para a saída de Álvaro Santos Pereira.

"O ministro, em desespero, usou argumentos falsos para justificar esta nomeação, procurando instrumentalizar e manipular uma comissão parlamentar, o parlamento e a opinião pública. Por essa razão reclamamos, do primeiro-ministro, a demissão do ministro da Economia".

O bloquista relembrou que já saíram quatro secretários de Estado do Ministério da Economia e do Emprego, desde que Álvaro Santos Pereira é ministro, justificando a situação com o facto de o governante "escolher mal" os seus secretários de Estado.

Quanto ao futuro político do ministro, João Semedo não tem dúvidas: "Estou convencido de que, quer, pela incapacidade revelada ao longo de ano e meio de fazer a economia crescer e desenvolver, quer por este episódio de tentativa de ludibriar uma comissão parlamentar, o parlamento e a opinião pública, dizendo coisas que não estavam nos documentos, é um ministro a prazo".

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