Governo deve demitir-se todo, não desculpar-se

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje que os pedidos de desculpa dão pouco consolo aos portugueses, apontando como caminho a seguir a demissão de todo o Governo, em vez da saída de um ou outro ministro.

"Consolam pouco esses pedidos de desculpas, porque o Governo estava consciente da situação. Mais importante do que um pedido de desculpas era uma saída airosa, a demissão não deste ou daquele ministro, porque no fundamental o primeiro-ministro é o primeiro responsável: consideramos que o importante era a demissão deste Governo", alegou.

No final da inauguração das novas instalações do PCP na cidade de Viseu, que ocorreu ao final da manhã, Jerónimo de Sousa realçou que os pedidos de desculpa poderiam ter sido evitados.

"Os pedidos de desculpa poderiam ter sido evitados se tivessem ouvido o PCP em relação ao mapa judiciário e à sua aplicação informática, em relação ao próprio processo da abertura do ano escolar. Alertamos e avisamos, conjuntamente com as organizações dos professores, mas infelizmente fizeram orelhas moucas", sustentou.

Aos jornalistas, o líder do PCP realçou a importância de se enveredar por um outro caminho político, insistindo na demissão do Governo.

"Consideramos que o importante era a demissão deste Governo, que vem juntar mais peças à situação de agravamento económico e social de um país a andar para trás. Passos Coelho e o Governo insistem que é o melhor dos mundos e que agora estamos a caminho da recuperação, quando é sabido que hoje, tendo em conta a situação na educação, justiça, saúde, desemprego, a pobreza que fustiga os portugueses, o melhor caminho não era demitir este ou aquele ministro", apontou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.