Governo apela à "consciência individual" dos pilotos

Hoje foi o secretário de Estado dos Transportes a apelar aos pilotos que decidam em consciência, individualmente, se querem aderir ou não à paralisação.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, lançou hoje um apelo à "consciência individual" dos pilotos da TAP e da Portugália, para que decidam se vão aderir ou não à greve convocada para o período de 01 a 10 de maio.

"Julgo que há informação suficiente para que cada piloto, em consciência, possa tomar essa decisão", considerou o governante, em declarações à Lusa, acrescentando que "se muitos decidirem trabalhar, teremos certamente impacto menor da greve e uma melhor companhia aérea depois deste período de 10 dias".

"Claramente a bola já não está do lado do Governo desde dezembro, porque fez o que lhe competia, tal como a empresa. A bola está do lado dos pilotos", sublinhou Sérgio Monteiro, que falava depois de uma reunião de trabalho com a ministra do Fomento espanhol, Ana Pastor.

Quanto à privatização da transportadora aérea, uma vez que a entrega de propostas está agendada para 15 de maio, o secretário de Estado salientou que "não houve nenhuma desistência de potenciais interessados depois do anúncio da greve".

Sérgio Monteiro disse também que o Governo está a trabalhar "empenhadamente" para que o impacto no processo de privatização da TAP "seja o menor possível".

No entanto, quanto ao futuro da companhia após a greve, indicou que é "muito sombrio". "Não quero criar cenários demasiado catastrofistas, mas uma companhia aérea que vive 10 dias com os aviões parados no dia a seguir é diferente porque perdeu a confiança dos clientes", salientou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.