Gaspar diz que desconhecia problemas do BES enquanto era ministro

Ex-titular da pasta das Finanças responde aos deputados e salienta que só "no final de 2013" ouviu falar de "dificuldades idiossincráticas" no banco e no Grupo Espírito Santo (GES).

"Ouvi falar de dificuldades financeiras idiossincráticas no GES no final de 2013. Em termos concretos, soube, mais tarde, das implicações da exposição do BES ao GES pela imprensa especializada internacional." Foi desta forma que o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, negou que conhecesse enquanto exercia funções governativas os problemas no banco e no grupo.

No conjunto de respostas que Gaspar enviou à comissão de inquérito - que chegou esta terça-feira ao Parlamento e ao qual o DN teve acesso -, o ex-ministro sublinha ainda que nunca teve "qualquer indicação que apontasse para a necessidade de uma intervenção no BES", ou seja, um aumento de capital com dinheiro público.

Ao longo de cinco páginas, o antecessor de Maria Luís Albuquerque no Terreiro do Paço nega ter afirmado, numa reunião com a Associação Portuguesa de Bancos, que "se fizesse declarações sobre a dívida do BES tinha muito a dizer", vincando nas suas respostas aos deputados que qualquer expressão similar na reunião de 7 de junho de 2012 terá servido para notar, de forma "enfática", o seu desagrado pelas palavras de Ricardo Salgado sobre a dívida portuguesa.

Gaspar realça ainda que nas reuniões que manteve com o Banco de Portugal e com a CMVM o BES foi objeto de "menor atenção", dado que o foco dos encontros estava nas entidades bancárias que tinham recorrido à recapitalização pública.

O que o ex-ministro - que deixou o executivo no verão de 2013 - não nega são as reuniões com Ricardo Salgado e com outros elementos do BES e do GES. Mas Gaspar frisa, porém, que "desses contactos não decorreu qualquer preocupação particular com a situação do banco ou do grupo".

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