Futebol no dia das eleições deixou Cavaco surpreendido

Presidente apelou a que ninguém deixe do votar "independentemente de futebóis ou de qualquer outro desporto ou outro evento".

"Fiquei surpreendido que se tenha quebrado esta tradição de não ocorrerem jogos de futebol no dia das eleições. E, tendo eu anunciado o dia da eleição no dia 22 de julho, nessa altura pensei que os organismos do futebol e os clubes conseguiriam encontrar calendários adequados para que tradição se mantivesse", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas em Setúbal, no final de uma visita ao Serviço de Formação Profissional.

Cavaco Silva deixou, contudo, um apelo a todos os portugueses para que não deixem de votar: "Podem ir [ao futebol], mas antes ou depois não deixem de exercer o seu direito de voto porque o que está em causa no nosso país é muito, muito importante", frisou.

Recordando igualmente que na mensagem que dirigiu ao país a 22 de julho sublinhou que "era altamente desejável" que, depois das eleições, Portugal tivesse "um Governo com apoio maioritário na Assembleia da República", o Presidente da República insistiu que o julgamento cabe aos eleitores no dia 04 de outubro.

"Por isso, independentemente de futebóis ou de qualquer outro desporto ou outro evento, não deixem de ir votar", repetiu, considerando que "os portugueses vão fazer um esforço para conciliar o seu entusiasmo futebolístico com a responsabilidade que lhe cabe no dia 04 de outubro".

Na semana passada foi anunciado que Benfica, Porto e Sporting vão jogar na sétima jornada da I Liga portuguesa de futebol a 04 de outubro, dia das eleições legislativas.

Na altura, contactado pela Lusa, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) afirmou "que a lei não proíbe as atividades normais e correntes" no dia das eleições.

Contudo, acrescentou, "tem havido a opinião consensual de que não é adequado" a realização de jogos de futebol no mesmo dia e, em 40 anos de democracia, esta será a primeira vez que tal acontece em dia de eleições para a Assembleia da República.

"Diria que é pouco sensato misturar as duas coisas. Não é proibido, mas não é recomendável", frisou João Almeida.

Já esta terça-feira, no fim de uma sessão plenária da CNE, João Almeida reiterou a posição já tornada pública anteriormente.

"A Liga deu as razões porque manteve os três jogos [do Benfica, do Porto e do Sporting]. Continuamos a entender que não deveria haver eventos com grande aglomerado de pessoas e que obriguem a deslocações para longe das áreas de residência", disse.

A CNE desaconselhou a realização de eventos do género em dias de eleições, pois, para além de poderem contribuir para a abstenção, podem causar "problemas sérios devido à proximidade dos jogos às assembleias de voto".

Benfica, FC Porto e Sporting vão jogar na sétima jornada da I Liga portuguesa de futebol a 04 de outubro, a primeira vez que tal acontece em dia de eleições para a Assembleia da República.

Já depois do anúncio da marcação dos jogos dos três 'grandes', a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) esclareceu que esta foi acordada com os clubes, tendo em conta as competições europeias e os jogos da seleção. Todas as suas outras competições foram antecipadas para 03 de outubro, de forma a não coincidir com o dia das eleições.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.