Foi "propaganda" sem "valor acrescentado"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje que o regresso aos mercados foi uma operação de "propaganda" sem "nenhum valor acrescentado", preferindo, em relação aos números do défice, aguardar pela "verdadeira estatística" do INE, em março.

À margem do arranque da campanha nacional do PCP, designada "Por uma política alternativa, patriótica e de esquerda", que hoje foi lançada no Porto, Jerónimo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre o regresso aos mercados, tendo afirmado que "o Governo vai vivendo de propaganda".

"Uma operação que não resolve nenhum dos problemas nacionais, serve de propaganda, não resolve o problema da dívida nem do serviço da dívida nem tem consequências naquilo que nós consideramos como pão para a boca: a necessidade do crescimento, do investimento, do desenvolvimento económico para resolver os problemas nacionais, para resolver o problema do emprego em Portugal", enfatizou.

Para o secretário-geral do PCP, "tratou-se de um folgo fraco que não apresenta nenhuma solução estruturante para os problemas" de Portugal, considerando que "não tem nenhum valor acrescentado".

"Na prática e em síntese poderíamos dizer: não vem resolver nenhum dos graves problemas nem sequer da dívida, que neste momento continua a estrangular Portugal", sintetizou.

Questionado sobre os valores do défice divulgados quarta-feira pela DGO -- fixou-se nos 5% do PIB quando o limite estabelecido com a troika era de 5,4% do PIB -- Jerónimo de Sousa considerou que era necessário "fazer contas".

"Não é por acaso que apresentaram já pela noite fora, porque é uma operação de uma engenharia contabilística. Como é sabido, devido ao reforço da verba resultante da privatização da ANA, mais uma outra medida que tem a ver com os telemóveis de quarta geração. Mas vamos aguardar pelo INE que em março publicará a verdadeira estatística", disse.

O deputado comunista chamou ainda à atenção para o facto de "no subsetor do Estado as receitas diminuíram drasticamente, particularmente no plano das receitas do IRC e do IRS".

"Eu estou preocupado com o desfecho final mesmo assim construído de uma forma de engenharia enganosa que vai manter o défice que eram esperados, com desenvolvimentos preocupantes", alertou.

Questionado sobre o facto do Presidente da República já ter promulgado a lei que prevê o pagamento de metade dos subsídios de férias e de Natal no setor privado em duodécimos, Jerónimo de Sousa foi perentório: "o Presidente da República o que devia ter feito era ter vetado o Orçamento do Estado para 2013, essa é que era a posição de fundo que deveria ter tomado e não a sua promulgação e depois o recurso à fiscalização sucessiva".

"Depois deste mal feito, tudo o que vier compromete o senhor Presidente da República identificado com esta política e com este orçamento para 2013 e com as medidas que comporta", criticou.