Ferro: "Tantas pessoas que estão anos sem cumprir e nada lhes acontece"

Líder da bancada do PS exige que primeiro-ministro explique melhor a suposta existência de uma "bolsa VIP" de contribuintes. E voltou a recordar, sem nomear, a falta de pagamento de Passos à Segurança Social.

RO líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues, voltou esta sexta-feira a evocar os anos em que Passos Coelho não pagou as contribuições devidas à Segurança Social ao apontar o dedo a "tantas pessoas que estão anos sem cumprir as suas obrigações para o sistema e nada lhes acontece". E não largou o primeiro-ministro, ao retomar também as notícias de que existe uma "bolsa VIP" de contribuintes, onde constará também o nome de Passos Coelho.

A propósito disto - falando na abertura formal das jornadas parlamentares do PS, dedicadas ao crescimento e à inclusão - Ferro Rodrigues recordou o debate quinzenal de quarta-feira: "O primeiro-ministro respondeu-me há dois dias, que não existia" a chamada "bolsa VIP", "mas resguardou-se sempre num comunicado das finanças e dos responsáveis administrativos e não da sua responsabilidade política", acusou.

Recuperando notícias do dia, em que um dirigente sindical confirmou a existência dessa lista de contribuintes, o líder parlamentar do PS notou que esta "não é uma questão judicial, é uma questão política". Para logo avisar que os socialistas vão querer saber mais. "O que o primeiro-ministro disse, para nós, não chega."

"O modelo de estar de joelhos perante a troika, de procurar através do empobrecimento para chegar a uma certa competitividade, falhou, a austeridade fracassou", disse Ferro, na apresentação de um primeiro balanço da sua atividade como presidente da bancada socialista, sobre "as políticas que foram ensaiadas".

Trata-se de "um governo que vive em estado de negação absoluta, não tendo já condições para continuar em funções", observou no seu discurso aos deputados, com a presença do secretário-geral socialista, António Costa. Conclusão: "A direita está em morte lenta mas segura."

Antes de Ferro Rodrigues, o anfitrião socialista notou que Vila Nova de Gaia é um exemplo de que "não há dicotomia entre a direita que gere bem e a esquerda que gasta muito", como afirmou o presidente da autarquia. Eduardo Vítor Rodrigues recordou que, quando reconquistou o município para o PS, em 2013, este estava numa "situação de pré-falência", com um executivo do PSD, e um ano e meio depois conseguiu "escapar" ao fundo de apoio municipal, "que se devia chamar fundo de atrofia municipal".

Já o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, "um dos ideólogos da austeridade nacional", seria citado por José Luís Carneiro, o líder da distrital socialista do Porto, para sublinhar "o falhanço de um modelo" de austeridade e da necessidade de "inflexão" de caminho. Escreveu o ex-ministro e leu o socialista: "O nível de desemprego e de desemprego jovem são muito graves. Requerem uma resposta efetiva e urgente a nível europeu e nacional; exigem a rápida transição para uma nova fase do ajustamento: a fase do investimento."

Ferro Rodrigues daria depois o mote para os meses que aí vêm até às eleições legislativas, ao apontar o PS como "a única força que, assumindo o pensamento progressista contemporâneo, é capaz de se opor ao provincianismo e à mesquinhez da maioria da direita". E recordando que o PSD e o CDS chumbaram seis propostas de dinamização da economia, "dizendo que são socialistas", o líder da bancada do PS exclamaria: "Ainda bem que são socialistas." Os seus pares aplaudiram.

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