Ex-PM defende que é urgente Portugal parar com a austeridade

O ex-primeiro-ministro José Sócrates defendeu hoje que Portugal tem urgentemente de parar com a austeridade e acusou o Governo de dar "desculpas de mau pagador" ao criticar o desenho inicial do memorando com a 'troika' em 2011.

Estas posições sobre o acordo celebrado com a 'troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) foram assumidas pelo anterior líder do executivo em entrevista à RTP, que demorou cerca de hora e meia, depois de interrogado sobre qual o diagnóstico que faz da atual situação do país.

"O país tem a urgente necessidade de parar com a austeridade", advogou o ex-líder socialista, antes de considerar que o atual executivo se meteu "num buraco e que, para sair dele, entende que é preciso continuar a escavar".

"Esta solução não resulta. Se continuarmos a cavar na mesma solução, não cumpriremos nem défice, nem dívida", defendeu.

De acordo com José Sócrates, em Portugal é contada uma narrativa sobre o seu Governo com vários "embustes": Que a crise era nacional e não internacional; que foi o anterior executivo quem conduziu o país à ajuda externa, quando foi o chumbo do PEC 4 que a tal levou; e, finalmente, que este executivo PSD/CDS está apenas a aplicar o memorando assinado pelo Governo socialista em maio de 2011.

"O que o Governo fez nestes dois anos foi aplicar o dobro da austeridade que estava no memorando inicial. Este Governo fez já sete alterações ao memorando inicial", apontou.

Confrontado com as críticas da atual maioria PSD/CDS ao facto de o memorando ter sido mal desenhado em maio de 2011, Sócrates argumentou que essas afirmações são "desculpas de mau pagador".

"Então um Governo que aplica um memorando ao longo de dois anos e durante esse período nada diz, vem agora, para desculpar o seu fracasso, dizer que está mal desenhado? Esses sim não querem assumir as suas responsabilidades", disse, acusando o executivo PSD/CDS de ter pretendido provocar uma austeridade mais acentuada e concentrada nos primeiros anos.

Sócrates questionou ainda "como pode o atual Governo dizer que a versão inicial do memorando está mal desenhada "se nunca a aplicou".

"O memorando, tal como está hoje, nada tem a ver com o que foi assinado", sustentou, dizendo que na versão inicial não estavam previstas medidas como os cortes dos subsídios dos funcionários públicos e pensionistas.

Relacionadas

Últimas notícias

Brand Story

Tui

Mais popular

  • no dn.pt
  • Política
Pub
Pub