Empresários pós troika podem ser motor de mudança

O Presidente da República sublinhou hoje o papel que os "empresários da economia pós 'troika'" poderão desempenhar num dos "tempos mais severos" da história de Portugal, considerando que esses jovens poderão ser o motor da mudança da economia.

"Esta nova geração de empresários são os empresários da economia pós 'troika'", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na sessão de abertura do encontro que decorre ao longo de todo o dia no Palácio de Belém com cerca de meia centenas de jovens empresários empreendedores e que tem como tema "os jovens e o futuro da economia".

Sublinhando que "esta geração pode de facto ser o motor da mudança da economia portuguesa", Cavaco Silva justificou a realização do encontro notando que na situação atual do país não é possível discutir o futuro sem ouvir esta nova geração de empreendedores.

"Portugal atravessa um dos tempos mais severos da nossa história mais recente e o grande desafio que a todos nós se coloca é o de como provocar crescimento económico sustentado em investimento competitivo, gerador das receitas externas e gerador de emprego", frisou.

Por isso, acrescentou, o objetivo da iniciativa é precisamente debater a importância do empreendedorismo para o progresso do país e refletir sobre o contributo que os jovens empresários podem dar para o futuro da economia portuguesa, porque sem crescimento económico Portugal não conseguirá resolver de forma sustentável o desequilíbrio das finanças públicas, não conseguirá reduzir o endividamento público e a dívida para com o estrangeiro, nem conseguirá resolver os graves problemas de desemprego.

Apesar de ter confessado aguardar com expectativa as conclusões do encontro, o Presidente da República deixou algumas 'pistas' sobre as "alavancas disponíveis para provocar o crescimento": o investimento nacional e estrangeiro, as exportações e o turismo, acompanhados de uma redução menos drástica do consumo privado.

"Só as empresas privadas podem manejar estas alavancas e por isso o crescimento económico no país, a recuperação económica está hoje totalmente na mão dos empresários privados", enfatizou, salientando que apesar do Estado não ter meios para provocar estímulos financeiros expansionistas, pode e deve criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da iniciativa privada.

"Esta será a geração que irá renovar o tecido empresarial português e imprimir um novo rumo à economia portuguesa e por isso os poderes públicos devem criar as condições para que este potencial dos jovens empreendedores portugueses se manifeste, este potencial seja devidamente aproveitado", insistiu.

Entre as questões que poderão ser debatidas ao longo do dia pelos jovens empreendedores, o chefe de Estado destacou algumas, nomeadamente sobre os bloqueis ao crescimento das pequenas empresas, os entraves que os jovens empreendedores encontram para lançar projetos ou a forma de transformar iniciativas criativas em negócios rentáveis.

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