"É uma declaração bastante infeliz", diz Governo. PSD e CDS discordam

Juncker disse ontem que a troika "pecou contra a dignidade" dos portugueses. Governo diz que foram declarações infelizes, mas partidos que o compõem não concordam.

O Governo de coligação e os partidos que o compõem não estão de acordo quanto às declarações de ontem do Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, quando disse que a troika "pecou contra a dignidade" dos gregos, dos portugueses e dos irlandeses.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares classificou hoje as declarações Juncker de infelizes, garantindo que a dignidade de Portugal "nunca foi beliscada" pela 'troika'.

"Acho, manifestamente, que é uma declaração bastante infeliz do presidente da CE porque nunca a dignidade de Portugal nem dos portugueses foi beliscada, pela 'troika' ou qualquer das suas instituições. Só posso classificá-la como declaração infeliz", afirmou Luís Marques Guedes, na conferência de imprensa após o conselho de ministros, em Lisboa.

"O programa da 'troika', imposto nomeadamente a Portugal, é um programa bastante duro, cuja dureza tinha a ver com a situação extremamente difícil em que o país se encontrava. É conhecido que Portugal conseguiu, através da credibilidade e confiança que granjeou, ir fazendo correções ao próprio programa, em termos de metas e objetivos", afirmou Luís Marques Guedes.

Para o governante, as metas e objetivos "eram manifestamente desajustados porque tinham sido mal negociados de início".

"Cumprimos e Portugal conseguiu sair da situação difícil e merecer a confiança dos parceiros europeus", destacou o ministro.

No entanto, nem o PSD nem o CDS estão de acordo com estas afirmações.

O deputado do PSD António Rodrigues defendeu hoje que as declarações do presidente da Comissão Europeia são o "reconhecimento das dificuldades" de Portugal e também da capacidade de cumprir, não as classificando de "infelizes", como o ministro da Presidência.

"A declaração do presidente da Comissão Europeia, senhor Juncker, representa, em primeiro lugar, o reconhecimento das dificuldades que o país passou e dos sacrifícios que os portugueses passaram durante os últimos três anos", disse António Rodrigues aos jornalistas no parlamento.

Confrontado com a reação do ministro da presidência, o deputado do PSD respondeu: "Não vou comentar as declarações do senhor ministro Marques Guedes, sei, apenas e só, que aquilo que ele queria dizer seguramente era que também nessas palavras do senhor Juncker estava esse reconhecimento de capacidade que o Governo teve, em negociar com os vários parceiros da 'troika', mas também se contornar as dificuldades que a economia portuguesa tinha".

Horas antes, o líder da bancada parlamentar do CDS, Nuno Magalhães assinalara que os centristas alertaram "várias vezes" para "uma discrepância pouco aceitável entre aquilo que responsáveis do FMI, sobretudo, mas também da Comissão Europeia e do BCE, diziam à comunicação social e o que os técnicos aqui propunham e exigiam".

O deputado afirmara que as críticas de Jean-Claude Juncker sobre a 'troika' coincidem com "os alertas" deixados pelo CDS-PP nos últimos três anos, mas que essa situação foi "superada" por "mérito dos portugueses".

"Aquilo que o senhor Juncker disse foi aquilo que o CDS ao longo dos tempos, de uma forma mais ou menos explícita, foi alertando, um governo de protetorado é um vexame, é uma humilhação que o PS nos deixou, foi muito difícil cogovernar com os credores mas conseguimos", afirmou Nuno Magalhães aos jornalistas no parlamento.

O PS, através do deputado João Galamba, tinha dito hoje que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, tinha de dar explicações após declarações de Juncker.

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