"Direita falhou diagnóstico e resposta", diz Costa

O candidato às primárias do PS António Costa afirmou terça-feira à noite que os socialistas têm dificuldades em ser vistos como alternativa ao Governo, referindo que a diferença entre ambos é apenas no "ritmo e na dose".

António Costa, que discursava na noite de terça-feira no Barreiro, defendeu que o Governo pensou que o problema começava e acabava na dívida e que "era suficiente um brutal choque de austeridade", mas os resultados "são desanimadores".

"A direita falhou no diagnóstico e na resposta, mas o PS tem tido dificuldade em ser visto pelos cidadãos como alternativa. Essa dificuldade resulta de se ter dado a entender que o que distinguia do governo era uma questão de ritmo e de dose", declarou.

António Costa, no dia em que formalizou a sua candidatura às primárias, afirmou que o país precisa de um PS que seja uma "alternativa clara".

"Nós não queríamos ir tão depressa, devíamos ir mais devagar, nem devia ser tanto, devia ser um bocadinho menos. O que o país exige não é que mudemos o ritmo nem diminuamos a dose, o que o país nos pede é que façamos diferente, com uma alternativa clara a este Governo", salientou.

O candidato às primárias do PS disse ainda que o país vive um momento único de "desânimo, descrença e desmotivação", considerando que o maior desafio dos responsáveis políticos é conseguirem "reconstruir um contrato de confiança com os cidadãos".

"Vamos conhecer em breve um novo acórdão do Tribunal Constitucional e não sabemos a decisão, mas o que é que o Governo vai fazer? Como vai ser feito o Orçamento? Esta incerteza permanente é um dos obstáculos ao desenvolvimento do país", frisou.

António Costa reafirmou a necessidade de ser criada uma agenda para a década para resolver os problemas estruturais no país, bem como um programa de recuperação económica.

"Este programa tem três eixos fundamentais. Os eixos são travar a austeridade para devolver confiança aos agentes económicos, recapitalizar as empresas para que possam investir e combater o desemprego", defendeu, apontando o exemplo dos jovens desempregados mas também das pessoas da sua geração.

O candidato afirmou depois que o novo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, anunciou que a primeira prioridade é recuperar o investimento e que o Governo devia aproveitar a oportunidade.

"Juncker defendeu que, para além do envelope já definido, tem que pôr em cima da mesa mais 300 mil milhões de euros nos próximos três anos para relançar a economia. Este Governo, que apoiou Juncker, em vez de aproveitar esta mudança de orientação política, a primeira ideia que tem é mandar para Bruxelas como comissária a personificação da austeridade da 'troika' que é a nossa ministra da Finanças", concluiu.