Desde que nasci

Professor de Física na Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais é uma das personalidades que faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema "Portugal europeu - e agora?".

Sou europeu desde que nasci. Na escola aprendi com Camões que a terra onde tinha nascido era "cume da cabeça/ De Europa toda". Mais tarde, com Pessoa, fiquei a saber que a Europa "fita, com olhar esfíngico e fatal,/ O Ocidente, futuro do passado./ O rosto que fita é Portugal." Já percorri toda a Europa, fui várias vezes à América, mas nunca fui a África nem à Índia. Quando viajei na Europa pela primeira vez, estranhei que as fronteiras de Portugal fossem das poucas que estavam fechadas (de noite, nem abriam!). Hoje, felizmente, estão abertas e podemos andar, sem mostrar o BI nem trocar de moeda, em grande parte dos países europeus. A Europa - a Europa das antigas Atenas e Roma, onde nasceu a filosofia, a Europa da Idade Média cristã, onde surgiram as universidades, a Europa do Renascimento, onde o humanismo floresceu, a Europa do iluminismo, onde a ciência triunfou, a Europa da Revolução Industrial, onde o progresso económico surgiu, e a Europa da União Europeia, onde houve e há paz - é a minha casa. Quero ter futuro nela.

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