Daniel Oliveira demite-se do Bloco de Esquerda

Numa carta de cinco páginas à direção do Bloco de Esquerda, Daniel Oliveira demitiu-se do partido que ajudou a criar em 1999.

O histórico bloquista, que chegou ao partido por via da Política XXI (o grupo de Miguel Portas constituído em grande parte por dissidentes do PCP), denuncia na carta de demissão o "sectarismo interno, que enfraqueceu o partido e o seu debate democrático" e o "sectarismo externo, que tem impedido o Bloco de ser, como sempre quis ser, um factor de convergência e reconfiguração da esquerda portuguesa".

Participante ativo no último congresso do BE, onde animou a moção derrotada, Oliveira justifica a demissão com a criação, animada pela atual direção do partido, de "uma corrente maioritária ligada à moção que venceu a última convenção". Ora "a criação desta corrente - que já esteve em cima da mesa nopassado e que em boa hora tinha sido esquecida - é apresentada como uma forma de garantir a 'descorrentização' do Bloco que eu, como muitos camaradas, tenho defendido" mas no entanto "faz exatamente o oposto".

Ou seja, "assume uma tal forma hegemónica que agrava todos os problemas que a existência de correntes trazia consigo". "Cristaliza as divergências da última Convenção, exclui dos principais debates e decisões pelo menos um quarto dos militantes e cria um cordão sanitário entre 'poder' e 'oposição', afirmando uma lógica de fidelidades que só pode ser prejudicial ao Bloco", escreveu.

Acrescentando: "O que mais me deixa perplexo é o completo autismo da direção do Bloco que, enquanto o País se desmorona, se entretém com estes pequenos golpes palacianos num partido com uma militância tão reduzida. Esta é a exibição que se dispensava de um Bloco imaturo e desconcentrado".

Em causa nesta demissão está a tentativa, atualmente a ser protagonizada por João Semedo (co-líder do BE, com Catarina Martins), José Manuel Pureza (ex-líder parlamentar) e Francisco Louçã (ex-líder do partido), de constituir uma tendência única no partido, denominada "Socialismo", na qual se filiariam todas as outras desde sempre existentes.

O grupo do BE ligado à UDP, que tem em Luís Fazenda a figura tutelar, também já afirmou que recusa deixar de existir como corrente organizada dentro do BE.

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