Cumprir o plano da 'troika' evita novo acordo de austeridade

O Presidente da República considerou hoje que se Portugal cumprir integralmente o programa de assistência financeira não necessitará de um novo "acordo de austeridade", mesmo que tenha dificuldades de acesso aos mercados financeiros em 2013.

Questionado sobre a possibilidade de Portugal ter de renegociar o programa de ajuda financeira caso a Grécia entre em colapso, o chefe de Estado recordou as decisões tomadas no Conselho Europeu de 21 Julho, que "infelizmente ainda não passaram à prática".

"Nesse acordo diz-se que um país que cumpra integralmente o acordo de assistência financeira, como é aquilo que eu espero que aconteça com Portugal, continuará a beneficiar do apoio das instituições internacionais mesmo que, no final do acordo, tenha dificuldades de acesso aos mercados financeiros internacionais", sublinhou o Presidente da República, que falava aos jornalistas no final de um almoço na ilha Graciosa.

Isto é, explicitou Cavaco Silva, se as decisões tomadas no dia 21 de Junho forem cumpridas Portugal não necessitará "de novo acordo formal, aquilo que se chama, por vezes, um acordo de austeridade como aquele que foi negociado no mês de Maio passado".

"Por isso, tenho grandes expectativas quanto aquilo que o novo conselho europeu que se vai reunir no mês de Outubro possa avançar finalmente", acrescentou.

Cavaco Silva reconheceu, contudo, que a situação grega está "de facto a influenciar negativamente não apenas Portugal, mas outros países da união europeia", pois neste momento é muito grande a interdependência entre as economias e os sistemas financeiros europeus.

"Basta ter presente que uma boa parte da divida grega encontra-se nas mãos de bancos franceses e de bancos alemães", lembrou, frisando que, desta forma, aquilo que acontece na economia e no sistema financeiro grego tem influência em todos os países da União Europeia.

Por isso, continuou o chefe de Estado, é fundamental que Portugal não se aproxime da situação em que se encontra a Grécia.

"Penso que neste momento temos de ter esperança que as autoridades da zona do Euro e da União Europeia em geral fazem aquilo que lhes compete fazer para evitar que a situação da Grécia, que é uma situação dramática, não evolua até um ponto que possa provocar algum caos em todo o sistema financeiro da Zona do Euro", referiu ainda o Presidente da República.

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