Costa diz a Seguro: "Juntos somos imbatíveis"

"Junto temos confiança de que saberemos vencer, juntos somos fortes, juntos somos imbatíveis." Foi prometendo unidade interna no PS que António Costa encerrou o seu discurso no XIX congresso nacional do partido, cujo segundo dia de trabalhos está a decorrer em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro.

"Construir a alternativa é a nossa responsabilidade", disse o presidente da câmara de Lisboa, para quem os portugueses, depois de já terem percebido que "o Governo falhou", querem agora "saber se podem confiar no PS como alternativa".

Num discurso onde omitiu criticas ao Presidente da República - e onde também onde se esqueceu referir Ferro Rodrigues (de quem foi líder parlamentar) quando elencou todos os antigos secretários-gerais do PS -, António Costa dedicou-se essencialmente a apresentar as linhas gerais do seu 'programa de Governo' (que já estão incluídas no 'Documento de Coimbra', pelo qual selou o seu acordo de unidade com António José Seguro).

Disse que é preciso "rever o memorando" porque "a manter esta trajetória não cumpriremos nenhum dos seus objectivos" e garantiu que isto é possível "porque nenhum credor quer a morte do devedor".

Para além disso quer um "grande programa de reabilitação urbana" (porque "o setor da construção civil produz milhares de desempregados por dia") e considera "fundamental negociar bem os fundos comunitários" - sendo no seu entender "imperdoável que Portugal esteja tão atrasado na definição dos seus programas".

Defendeu, por último, um "grande acordo estratégico na concertação" feito "para garantir sustentabilidade do modelo social"

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?