Como Passos e outros governantes apelaram à emigração

(COM VÍDEO) Passos Coelho disse hoje em Paris que "ninguém" no Governo "aconselhou os portugueses a emigrarem". Mas a verdade é que tanto o primeiro-ministro, como outros membros do seu Executivo já falaram no estrangeiro como uma forma de arranjar emprego.

Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro

Em dezembro de 2011, numa entrevista ao Correio da Manhã, Passos Coelho aconselhou a emigração aos professores desempregados. "Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra qualificada e de professores.Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa"

A defesa de Passos feita Miguel Relvas e Carlos Abreu Amorim

Alexandre Mestre, secretário de Estado da Juventude e Desporto

No dia 31 de outubro de 2011, Alexandre Mestre, secretário de Estado do Desporto, disse no Brasil que disse que os jovens portugueses desempregados, em vez de ficarem na "zona de conforto", poderiam emigrar, noticiou a Lusa. "Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras", disse o governante à Lusa, acrescentando que o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da "fuga de cérebros".

A 6 de novembro, em entrevista dada ao Correio da Manhã, Alexandre Mestre desmentiu estas declarações, mas a Lusa manteve-as.

Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares

A 16 de novembro de 2011, a oposição pediu a Relvas para comentar as declarações de Alexandre Mestre. A resposta foi esta:

"Quem entende que tem condições para encontrar [oportunidades] fora do seu país, num prazo mais ou menos curto, sempre com a perspectiva de poder voltar, mas que pode fortalecer a sua formação, pode conhecer outras realidades culturais, [isso] é extraordinariamente positivo", declarou.

"Nós temos hoje uma geração extraordinariamente bem preparada, na qual Portugal investiu muito. A nossa economia e a situação em que estamos não permitem a esses activos fantásticos terem em Portugal hoje solução para a sua vida activa. Procurar e desafiar a ambição é sempre extraordinariamente importante", prosseguiu Relvas.

Mas as intervenções de Miguel Relvas sobre a emigração continuaram.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?