CDS reúne para discutir desconvocação do Congresso

O Conselho Nacional do CDS-PP reúne-se hoje, no Porto, para discutir a proposta da comissão executiva para desconvocação do XXV Congresso e sua realização após as autárquicas, sendo esta a segunda mudança de data da reunião magna.

A comissão executiva propõe que a reunião magna do partido se realize apenas após as eleições autárquicas de 29 de setembro e justifica a proposta por "a situação política não estar definitivamente clarificada", depois do Presidente da República ter apelado ao PSD, PS e CDS-PP para alcançarem um "compromisso de salvação nacional".

Esta é já a segunda vez que a data do congresso do CDS-PP poderá sofrer alterações, tendo a reunião magna estado inicialmente marcada para o fim de semana de 06 e 07 de julho.

O primeiro adiamento surgiu menos de 48 horas antes do arranque do congresso, na sequência da apresentação, dia 2 de julho, do pedido de demissão do líder do partido, Paulo Portas, do cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros -- decisão que disse então ser "irrevogável" e contestando a escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois da saída de Vitor Gaspar -- tendo o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciado que não aceitava esta saída do parceiro de coligação.

Depois de várias reuniões entre Paulo Portas e Pedro Passos Coelho -- que entretanto reuniu com Cavaco Silva e afirmou que seria "encontrada uma forma de poder garantir o apoio político do CDS ao Governo" - no dia 06 de julho as direções do PSD e do CDS-PP reuniram-se para estabelecer os termos do acordo entre os dois partidos.

O primeiro-ministro anunciou então, entre outros pontos do acordo, ter proposto ao Presidente da República que Paulo Portas assumisse o cargo de vice-primeiro-ministro com a responsabilidade pela coordenação das políticas económicas e do relacionamento com a 'troika'.

Depois de ter ouvido o primeiro-ministro, os partidos e parceiros sociais, o Presidente da República propôs quarta-feira um "compromisso de salvação nacional" entre PSD, PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e que esse acordo preveja eleições antecipadas a partir de junho de 2014.

No domingo, realizou-se a primeira reunião entre os três partidos, do qual saiu um curto comunicado idêntico enviado por PSD, PS e CDS-PP, no qual informam que no encontro foi discutida a metodologia de trabalho e fixado o prazo de uma semana para dar boa sequência aos trabalhos previstos para a procura de um 'Compromisso de salvação nacional'.

Também no domingo foram conhecidos os nomes escolhidos por cada um dos partidos para as negociações com vista ao compromisso de salvação nacional, tendo o PSD indicado o seu primeiro vice-presidente, Jorge Moreira da Silva, o CDS-PP o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, e o PS o deputado e dirigente Alberto Martins.

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