CDS-PP "é o pide bom" do Governo, diz Vasco Lourenço

O capitão de abril Vasco Lourenço acusou hoje o CDS-PP de fazer o papel de "pide bom" e desvalorizou os apelos ao consenso com o PS por parte do Governo da maioria, constituída com o PSD.

"Há o 'pide bom' e o 'pide mau', como nós dizíamos. O 'pide bom', de vez em quando, tem de desempenhar o seu papel. Dá a sensação de que estão a abrir que é para o pessoal pensar que não são tão maus como os pintam", afirmou o coronel, atual presidente da Associação 25 de Abril, à margem de uma sessão de evocação da 'Revolução dos Cravos', num café-concerto, em Lisboa.

Para Vasco Lourenço, os democratas-cristãos, "nalgum aspeto sim, fazem esse papel", embora, "por outro lado, façam o papel que lhes convém para, se houver eleições, captar votos".

"Os papéis estão distribuídos e ele [CDS-PP] está a fazer de 'pide bom' até para dar a sensação de que lá dentro [da coligação] há dissensões", continuou.

Sobre as mais recentes medidas anunciadas pelo executivo liderado por Passos Coelho, o militar preferiu não "comentar profundamente" até porque "ainda não se conhecem bem", considerando, contudo, ser "evidente de que não há qualquer esperança de que se alterasse a sua posição".

"Eles sentem e a 'troika' tem de sentir, como representantes do capital financeiro e como governadores de um Estado ocupado - que é o que hoje é Portugal -, que, de vez em quando, é preciso esvaziar a pressão, dando a sensação de que estão a fazer abertura, porque sabem que, de um momento para o outro, pode haver uma explosão e violência forte e, portanto, têm de ter esse cuidado", analisou.

O antigo membro do Movimento das Forças Armadas afirmou que o Governo tem "objetivos e não se trata de erros de percurso", passando pelo "empobrecimento do país e a criação de um exército de desempregados, que amochem e não levantem a garimpa"

"Já não têm legitimidade democrática, mas estão dentro da legalidade até porque têm o protetor que é o Presidente da República, que deixou de ser o Presidente em Belém para ser o residente em Belém. São capatazes do capital financeiro ao qual estão vendidos", concluiu.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.