"CDS e PSD são as duas faces da mesma moeda", aponta Costa

Encontro entre socialistas e centristas marcado por divergências. CDS responde que o PS de 2015 é a face da mesma moeda do PS de 2009.

A conversa foi agradável, como disse António Costa, e de cortesia, como apontou Nuno Melo, mas no final o secretário-geral do PS e o vice-presidente do CDS convergiram que, agora, há mais a separar os dois partidos que a aproximar.

Falando no final de uma reunião pedida pelos socialistas para apresentação de cumprimentos da nova liderança, na sede do CDS, António Costa afirmou aos jornalistas que "não há pontos de convergência" com os centristas. E explicou-se: "O CDS e o PSD são as duas faces da mesma moeda da política seguida pelo Governo. Admito que haja alguns arrufos [na maioria], mas nessas matérias não me meto."

Perante esta crítica, Nuno Melo responderia que, depois da reunião em que esteve Paulo Portas, tinha ficado a ideia de que "o PS de 2015 e o PS de 2011, esses sim, são a face da mesma moeda". Estava dado o troco, mas sublinhando aquilo que é a coligação. "O país bem vê que PSD e CDS se distinguem abundantemente."

Um e outro tinham sido interpelados sobre se, na mesa da reunião, tinha estado uma proposta idêntica àquela que fez o PSD ao PS, na segunda-feira passada, de uma plataforma de diálogo permanente, que os centristas desconheciam e os socialistas rejeitaram. Costa preferiu sublinhar que "o diálogo político é fundamental" mas que este não pode ser confundido "com condições de governabilidade". "Não há nada pior para a democracia que a ideia que não há alternativas" e que essa "é uma opção" que só os portugueses podem fazer.

Já Nuno Melo repetiu-se quatro vezes para dizer que "o CDS sabe muito bem onde está e com quem está". E sublinhando que "o CDS sempre valorizou a cultura de compromisso", notou que num passado recente os socialistas não estiveram disponíveis para esse empenho, recordando a reforma do IRS e o rompimento no acordo que existia desde há um ano na reforma do IRC.\

Pelos socialistas, estiveram António Costa, Ferro Rodrigues e Porfírio Silva, do lado do CDS, os anfitriões foram Paulo Portas, Nuno Melo e Nuno Magalhães.

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