Cavaco reconhece que situação "não é fácil"

O Presidente da República diz ser necessário reconhecer que a situação para os portugueses "não é fácil" e compreender reações mais hostis, mas ressalva que muitas vezes são manifestações preparadas.

"Temos de reconhecer que a situação não é fácil para as pessoas", admite o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa entrevista ao semanário Sol, que será publicada na edição de sexta-feira, quando questionado sobre as "manifestações hostis" que os políticos têm enfrentado nos últimos meses.

Pois, acrescenta, as pessoas são chamadas a contribuir mais para os serviços de saúde, perdem os empregos, perdem os subsídios de Natal e de férias, e, portanto, há que "compreender a reação dos cidadãos".

"Mas, não somos ingénuos e sabemos que, por vezes, estas coisas são preparadas", sublinha o Presidente da República, que nos últimos meses já chegou a ser vaiado, tal como vários membros do Governo.

Na entrevista, Cavaco Silva é ainda interrogado sobre a sua relação com o Governo, garantindo que "há uma cooperação bastante boa" em relação ao processo legislativo com o executivo de maioria PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

Confrontado com a frase que deixou na sua tomada de posse de que "à legitimidade para reclamar sacrifícios tem de corresponder uma cultura de exigência assente em valores éticos e em princípios de serviço público" e interrogado se o Governo tem correspondido a esta "prerrogativa', o chefe de Estado escusa fazer julgamentos em público sobre o Governo.

"Tenho reuniões com o primeiro-ministro todas as quintas-feiras, que decorrem com toda a normalidade, reuniões de trabalho onde falamos de tudo aquilo que ele e eu consideramos importante para o país", declara.

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