Cavaco acusa "agentes políticos" de esconder boas notícias para a economia portuguesa

Presidente da República criticou hoje, em Famalicão, partidos que mostraram um "incómodo incompreensível" com previsões de crescimento de dois por cento avançadas pela OCDE

O Presidente da República aproveitou a quarta jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica, em que visitou ao longo do dia de hoje empresas e associações industriais no cluster têxtil de Famalicão e Barcelos, para criticar "os agentes políticos que querem esconder as boas notícias que têm vindo a surgir em relação à economia portuguesa e europeia".

"Há duas semanas, em Paris, o secretário-geral Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) afirmou que a economia portuguesa poderá crescer dois por cento em 2015, mas infelizmente essas palavras foram acolhidas em Portugal com um incómodo incompreensível por parte de alguns agentes políticos", disse Cavaco Silva no discurso da sessão comemorativa dos 50 anos da Associação de Têxtil e Vestuário de Portugal, em Famalicão, em que foi recebido pelo protesto de cerca de meia centena de trabalhadores e sindicalistas em protesto contra o corte dos direitos e redução dos salários.

As palavras do presidente poderão ser entendidas como uma indireta ao Partido Socialista, que manifestou algum desconforto com o facto de o Presidente da República ter corroborado no encontro com o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, uma previsão de crescimento económico mais otimista que a do governo, justificada em parte pela desvalorização do euro e baixa do preço do petróleo.

Cavaco Silva evitou pronunciar-se diretamente sobre o caso da lista de contribuintes VIP ou sobre audições parlamentares ao caso BES, pelo que ao longo da jornada de hoje não houve lugar a perguntas por parte dos jornalistas. Da parte do presidente ficou apenas uma referência velada aos casos, numa adenda ao discurso previamente escrito: "Os agentes políticos devem concentrar a sua atenção no combate ao desemprego e à pobreza e não na intriga ou em polémicas político-partidárias que não criam um único emprego."

No discurso desta tarde, no CITEVE - Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e Vestuário, o Presidente da República destacou o crescimento de 8 por cento em 2014 num setor que já representa 10 por cento da exportação nacional de bens e que emprega 120 mil trabalhadores em sete mil empresas, considerando que o têxtil, cuja produção é exportada em 80 por cento, "deu um contributo importante para fazer de 2014 um ano de viragem na evolução da economia portuguesa".

As quarta etapa do Roteiro para uma Economia Dinâmica terminou ao final da tarde com a atribuição da Comenda da Ordem do Mérito Empresarial a seis personalidades que se distinguiram ao longo dos últimos anos no setor do têxtil.

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