Catroga acusa Costa de tentar reescrever história da troika

Numa carta aberta ao líder do PS, a que o DN teve acesso, Eduardo Catroga diz que "tem de haver limites para a manipulação do passado". E lembra que o PSD foi "sistematicamente ignorado".

O interlocutor escolhido por Passos Coelho para representar o partido nas conversações com os representantes do FMI, BCE e Comissão , em 2011, insurge-se contra o facto do líder socialista afirmar que foi o PSD "quem chamou a troika". Afirmação que Costa fez no frente-a-frente com Pedro Passos Coelho.

"Tem de haver limites para a manipulação do passado", escreve Catroga, e relembra que foi o então primeiro-ministro José Sócrates e o ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, a convocar a troika. "O pedido de ajuda externa foi tornado necessário pela situação de pré-falência a que o país tinha chegado no início da Primavera de 2011".

Eduardo Catroga frisa que foram as três instituições que a compunham que decidiram iniciar uma ronda de conversas com os partidos políticos de representação parlamentar, assim como com os parceiros sociais e outras entidades da sociedade civil, pelo que o PSD foi naturalmente incluído nesse conjunto de interlocutores.

"A conversa não foi uma negociação. Na referida reunião, o PSD transmitiu à troika as linhas gerais da política económico-financeira do seu próprio programa partidário. A troika limitou-se a escutar-nos". Nessa conversa estiveram além de Catroga, Carlos Moedas e Abel Mateus.

O economista e antigo ministro das Finanças, afirma que o "PSD foi sistematicamente ignorado" pelo governo de então, e só encontrou "silêncio e opacidade" em torno das negociações com a troika. Daí as quatro cartas que Catroga diz ter escrito, nessa altura, ao ministro Pedro Silva Pereira e que foram públicas.

Uma das questões que o PSD queria ver esclarecida era qual a base orçamental efetiva com que o país ia partir para o Programa de Assistência."A única informação que recebemos foi tão-só o documento final integralmente negociado pelo governo e a troika", escreve Eduardo Catroga na carta aberta a António Costa.

Catroga diz querer ainda desfazer um "mito" construído por António Costa: o de que o atual governo foi além da troika. "Se as metas orçamentais acabaram por ser flexibilizadas em todos os anos do programa, e para valores menos restritivos do que aqueles acordados pelo governo socialista no memorando original, isso significa que o 'ir além da troika' nunca disse respeito à política orçamental.

O 'ir além da troika', garante, disse apenas respeito às políticas sociais, ao programa de reformas estruturais, ao mercado de arrendamento ou aos incentivos fiscais.

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