Carta do ministro do Negócios Estrangeiros ao Diário de Notícias

MINISTRO ENVIA AO DN ENTREVISTA CORRIGIDA

Na entrevista publicada no site da Rádio Renascença (RR), Rui Machete diz que entre os portugueses do Estado Islâmico "há dois ou três, sobretudo raparigas", que "estão a querer voltar". Este detalhe, que pode ser ouvido em áudio na RR e está também transcrito na página oficial da rádio, foi, no excerto da transcrição anexo à carta enviada pelo ministro ao DN (ler em baixo), corrigido. A referência a "sobretudo raparigas" foi retirada do texto.

A CARTA DO MINISTRO

O Diário de Notícias (DN), na sua edição de 23 de outubro de 2014, publicou com grande destaque um artigo da jornalista Valentina Marcelino, reportando-se à entrevista por mim dada à Rádio Renascença (RR), no dia 21 do mesmo mês, o qual intitula "Ministro revela informações sigilosas sobre jihadistas".

Lido o texto, não se percebe o que é que a jornalista considera como informações sigilosas.

Será o número aproximado de portugueses que militam no ISIS, já referido publicamente e também divulgado por diversos jornais? Será a referência à existência de famílias portuguesas que se lamentam que os filhos tenham viajado para a Síria, como vem descrito em vários artigos recentes da imprensa nacional? Ou refere-se, antes, ao perigo que representa o regresso dos chamados combatentes estrangeiros aos países de origem, matéria desde logo analisada no célebre discurso do presidente Obama contra os perigos da organização terrorista ISIS, e concitando a uma coligação que a destrua? Ou, ainda, à necessidade de procurar a reabilitação e reinserção dos que regressam às suas terras arrependidos, questões estas tão discutidas na imprensa nacional e estrangeira?

Não sabemos, nem a jornalista nos explica. Porque, no seu texto, não há uma linha das minhas declarações à RR.

Na verdade, todos esses pontos foram mencionados na entrevista citada e com o intuito de demonstrar a inanidade da filiação no ISIS. Mas o artigo em questão em nada esclarece e, assim, torna-se evidente o caráter completamente infundado da pretensa divulgação de "informação secreta" ou de "informações de segurança sigilosas", como são qualificadas no DN.

Não existe também, na entrevista que dei à RR, qualquer referência, qualquer pormenor que permita identificar pessoas concretas. Os temas citados inserem-se num combate contra uma organização verdadeiramente hedionda pelos crimes que comete, com requintes de crueldade, e que os Estados muçulmanos e ocidentais condenam veementemente. E à jornalista parece ser alheio o risco que representa, também para Portugal, o ISIS.

Com o pedido de publicação desta carta, igualmente se junta o excerto da "entrevista-alvo", em que é usado o singular conceito de violação do sigilo.

Com os melhores cumprimentos,

Rui Chancerelle Machete

ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

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