Campo Pequeno enche-se para "romaria" por Cunhal

A praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, está a vestir-se hoje de vermelho vivo, com cerca de oito mil pessoas, segundo a organização do comício-festa pelo centenário do histórico secretário-geral comunista Álvaro Cunhal.

Autocarros de todo o país e quatro desfiles a pé de quatro pontos diferente da capital confluíram para o recinto, repleto de bandeiras vermelhas e onde os gritos de "PCP" e "JCP", que também comemora o seu 34.º aniversário, são constantes, assim como os pedidos de demissão do Governo da coligação PSD/CDS-PP.

O evento vai ser aberto pela banda Brigada Vítor Jara, seguindo-se duas canções interpretadas por Luísa Basto, desde a "varanda presidencial" e que vai também terminar a iniciativa com a famosa "Avante, Camarada", antes da "Internacional" e "A Portuguesa" (hino português).

Uma dirigente da organização de juventude do PCP, Cristina Cardoso, vai fazer uma intervenção imediatamente antes do secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, cujo discurso está previsto para perto das 17:00.

Presentes nas já muito compostas "galerias de primeira e de segunda" da arena lisboeta estão também diversas delegações de todo o Mundo que participaram desde sexta-feira no 15.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, em Lisboa.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.