"Cada oportunidade perdida é uma tragédia" para o País

O primeiro-ministro defendeu hoje que "cada oportunidade perdida é uma pequena tragédia" de que o país nunca recupera, e rejeitou que, em tempos de crise, a arte e a cultura devam ser subordinadas a outras prioridades.

Pedro Passos Coelho falava durante o discurso de inauguração do Centro de Arte Moderna Gerado Rueda, em Matosinhos, cerimónia onde, quer à chegada quer à partida do primeiro-ministro, houve manifestações de descontentamento de alguns populares, contrapondo-se a estas manifestações de apoio, tendo na partida das viaturas oficiais havido necessidade da intervenção policial para acalmar os ânimos mais exaltados. Durante a sua intervenção, após ter visitado o novo espaço cultural, o primeiro-ministro defendeu que "hoje o desafio crucial para os portugueses é saber aproveitar todas as capacidades de cada pessoa", condenando o facto de "durante demasiado tempo" Portugal ter reservado "um olhar desaprovador para a irreverência das novas gerações".

"Este não é o Portugal em que eu acredito. (...) O capital humano não é senão a capacidade de inventar um futuro novo, de multiplicar possibilidades e abrir horizontes. Cada oportunidade perdida é uma pequena tragédia de que nunca recuperaremos. Isto vale para as artes como para a economia", defendeu. O primeiro-ministro rejeitou ainda a ideia de que "em tempos de emergência" como o atual as artes e a cultura "devem ser subordinadas a outras prioridades", defendendo que é "precisamente" em períodos como este que se deve "misturar ainda mais as nossas vidas com as artes e com a cultura". Pedro Passos Coelho salientou ainda o "quão feliz" é a associação entre o projeto hoje inaugurado e o mar, recordando que nas áreas da sua competência "o Governo também quer ligar o mar ao nosso país com amarras múltiplas e fortes".

"O paralelo da cultura e do mar é ilustrativo das mudanças políticas que temos de levar a cabo no nosso país. Ambos devem passar a inscrever-se no desígnio geral de abertura do país ao mundo", defendeu. Destacando que o Centro de Arte Moderna Gerado Rueda resulta de uma parceria entre a Câmara de Matosinhos e a Fundação Gerardo Rueda, o governante salientou que é objetivo que "a rede de ligações entre Portugal e Espanha seja tão densa quanto possível", considerando que "a riqueza cultural dos dois países não pode ser desperdiçada". "E a valorização dessa riqueza deve começar nos dois lados da Península que Portugal e Espanha partilham. Estou certo que esta parceria, será, neste aspeto imensamente frutuosa. Estou igualmente certo que constituirá um exemplo a ser imitado nos anos futuros", enfatizou.

A cerimónia contou igualmente com a presença do antigo chefe do governo espanhol Jose Maria Aznar, do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, do presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto e do ex-líder social democrata Fernando Nogueira. O centro resulta de um protocolo assinado entre a fundação criada com o nome de um dos pintores espanhóis mais influentes do século 20 e Câmara Municipal de Matosinhos. No âmbito desse protocolo, válido por três anos, a Fundação Gerardo Rueda disponibiliza, para exposição no Centro de Arte Moderna de Matosinhos, 16 trabalhos daquele pintor.