Bloco de Esquerda quer Francisco José Viegas na AR

O Bloco de Esquerda (BE) requereu hoje a presença do secretário de Estado da Cultura no Parlamento para responder a questões sobre a Tobis Portuguesa SA.

O pedido do BE foi apresentado num requerimento entregue ao presidente da Assembleia da República e ao qual a agência Lusa teve acesso. Desde 2010 que o Instituto de Apoio ao Cinema (ICA) tem tentado privatizar a Tobis, através da alienação do cerca de 97 por cento de capital que o Estado detém na mais antiga produtora de cinema, encontrando-se o negócio a decorrer sem que tenha ficado concluído.

Inicialmente a tentativa de venda da empresa foi realizada através de concurso público, a que concorreu apenas um proponente, que foi rejeitado pelo ICA por não reunir as condições necessárias. Agora, a tentativa de alienação da empresa tem decorrido junto de um particular, cuja identidade nem o ICA nem a Secretaria de Estado da Cultura revelaram. Para o BE, é necessário que Francisco José Viegas seja ouvido na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e que transmita a estes deputados o ponto da situação da venda da TOBIS, disse à Lusa fonte do BE.

"Durante o último ano, em que o ICA tentou, sem sucesso, alienar a Tobis Portuguesa, a actividade da empresa degradou-se, sendo agora praticamente nula. Neste momento, conforme noticiado na comunicação social, o Governo tenta pura e simplesmente fechar a empresa e nada se sabe sobre o futuro dos trabalhadores e do património", diz o documento do BE. Para o Bloco, está em causa uma empresa com mais de 78 anos com um catálogo ligado à história do cinema português e que tem apoiado o cinema nacional fornecendo serviços de pós produção em filme, em vídeo e em digital, transmitindo know-how e desenvolvendo novos processos na digitalização, restauro e conversão de filmes para projecção digital.

Na reunião do secretário de Estado da Cultura com representantes dos trabalhadores da Tobis, na quinta-feira, foi admitida a hipótese de a Tobis poder fechar as portas no início de 2012, depois da assembleia geral marcada para 06 de janeiro, se a venda do capital do Estado na produtora não se concretizar. A convocatória para a assembleia geral prevê a dissolução da empresa e a eleição de uma comissão liquidatária.

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