Bloco acusa Governo de fazer "propaganda" e "maquilhar" dados

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou hoje o Governo de fazer "propaganda pura" e de "maquilhar" a situação económica do país, contrapondo que Portugal continua em grave crise e sem soberania financeira.

Catarina Martins falava no final da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, o órgão máximo partidário entre congresso.

Confrontada com a declaração do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no Chile, segundo a qual os mais recentes resultados da economia portuguesa foram encorajadores, embora a austeridade ainda não tenha acabado, Catarina Martins disse que essa posição demonstra que os números apresentados pelo Governo "são apenas maquilhagem para forçar mais austeridade e propaganda política pura".

"Propaganda pura foi logo o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) baseado em dados falsos sobre quanto custa o Estado social em Portugal, como também instrumento de propaganda é dizer que o défice está dentro do limite do previsto quando não está, porque há receitas extraordinárias e há contabilização de despesas que não são permitidas", apontou.

De acordo com Catarina Martins, a ideia do regresso aos mercados "é também uma arma de propaganda, porque foi antes negociado com a banca e [o resultado da operação] teve a ver não com a ação do Governo, ou com políticas de austeridade executadas, mas com o facto de o Banco Central Europeu (BCE) garantir a dívida portuguesa, assim como a de outros países" intervencionados.

"Os juros da dívida grega desceram 50 por cento, os de Espanha e de Itália 20 por cento e, portanto, não foi a ação do Governo português. Toda esta propaganda, todos estes sinais do Governo servem nem mais nem menos para impor mais austeridade", advogou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda sustentou ainda que é falsa a ideia de que existe agora uma luz ao fundo do túnel na sequência do caminho percorrido pela economia portuguesa desde 2011.

"Continuamos a ter uma dívida pública a crescer (acima dos 120 por cento) e já insustentável. Continuamos a ter uma economia a minguar e continuamos a ter um desemprego recorde, que vai ainda aumentar mais", disse.

Neste contexto, Catarina Martins afirmou que o Bloco de Esquerda exige que a banca, "que é financiada pelo dinheiro dos contribuintes, financie a economia em condições que permitam que as empresas continuem a trabalhar".

"Enquanto não se fizer essa exigência ao sistema financeiro, as empresas vão continuar a fechar e o desemprego vai continuar a aumentar. Não há nenhuma luz ao fundo do túnel com as políticas deste Governo", acrescentou.

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