BE pede demissão de Gaspar e PCP do Governo todo

O Bloco de Esquerda reagiu hoje à conferência de imprensa do ministro das Finanças sobre a 7ª avaliação do memorando pedindo a demissão do ministro das Finanças, tendo logo a seguir o PCP reiterado que o que se exige é mais do que isso: a demissão do Governo todo e a realização de eleições antecipadas.

Falando no Parlamento, Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, considerou que é necessário "demitir o responsável por este desastre, o ministro das Finanças". Em três anos, denunciou, "o país empobreceu 7%" e agora, em termos de políticas, a única solução é uma renegociação global da dívida, dado que esta, atingindo os 124% do PIB em 2014, já "não é pagável". "É preciso romper o garrote da dívida", afirmou o deputado bloquista.

Logo a seguir falou Bernardino Soares. O líder parlamentar do PCP exigiu a demissão do Governo porque "quer tornar o ajustamento permanente". Interpelado sobre o papel do Presidente da República face a esta exigência - e dado que na AR não há maioria que consiga destronar o Executivo - Bernardino Soares respondeu que "quem não tem esta exigência está a ser cúmplice" com o agravamento da situação económica do País.

"O Governo tem um único caminho a seguir: é ir para a rua", diria depois, por outras palavras, a deputada do PEV Heloísa Apolónia, que acusou o Executivo liderado por Pedro Passos Coelho de estar a desencadear com as suas políticas uma "verdadeira calamidade social". "Tudo isto tem de ser invertido", disse ainda a parlamentar ecologista, para quem a "única solução" é "criar riqueza", o que se conseguiria "valorizando os salários" e "apoiando as micro, pequenas e médias empresas".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.