BE lamenta "piada de mau gosto" do PS

O PS congratulou-se hoje por o BE querer repor legislação do subsídio de desemprego do tempo dos governos socialistas, numa interpretação das iniciativas bloquistas que estão a ser discutidas no Parlamento que o Bloco considerou "piada de mau gosto."

O deputado do PS João Paulo Pedrosa saudou o agendamento potestativo do Bloco de Esquerda sobre precariedade e desemprego para a sessão plenária de hoje da Assembleia da República.

Falando após a intervenção inicial do deputado do BE Pedro Filipe Soares, João Paulo Pedrosa admitiu que tinha tido alguma "dificuldade" em colocar perguntas, por considerar que "este debate fica marcado" pelas declarações do líder parlamentar do Bloco, Luís Fazenda, quando apresentou esta iniciativa aos meios de comunicação social, e que revelam uma "coincidência" entre socialistas e bloquistas.

Em concreto, João Paulo Pedrosa afirmou que Fazenda explicou que o que justificava o agendamento deste debate é a "reposição daquilo que eram as condições da anterior legislação pré-governo PSD/CDS".

"Portanto, o BE constatou que os níveis de proteção no desemprego e dos trabalhadores nos governos PS eram aqueles que defendiam os trabalhadores e essa proteção. Isso é extraordinariamente importante. E eu penso que esta sintonia entre BE e PS até fez amuar o Governo, que nem compareceu hoje", afirmou o deputado socialista, acrescentando que o Bloco devia fazer um "ato de contrição" pela "continuada demagogia" que fez contra o anterior Governo.

"Porque a responsabilidade de muitas destas políticas da direita também são vossas, por cumplicidade, porque foi graças às vossas iniciativas que elas puderam ser tomadas", acrescentou.

Na resposta, Pedro Filipe Soares considerou uma "piada de mau gosto" as declarações de João Paulo Pedrosa, esclarecendo que aquilo que o BE quer repor "são as condições de acesso ao subsídio de desemprego a nível da sua duração e do seu valor".

Por outro lado, acrescentou, o PS é que mudou de posição, como ficou provado com a opção pela abstenção nas alterações ao Código do Trabalho.

Pedro Filipe Soares foi também questionado por Adriano Rafael Moreira, do PSD, que disse ao deputado do BE que estava "enganado" quando afirmou, na sua intervenção inicial, que o Governo está "a virar as costas" à geração mais qualificada de sempre e a escolher voluntariamente uma "política de desemprego" ao cortar nos apoios.

O deputado social-democrata contrariou estas afirmações de Pedro Filipe Soares apontando o exemplo do programa "impulso jovem", com que o Governo quer responder à "calamidade" do desemprego entre a população ativa mais nova, problema que o Executivo encontrou quando tomou posse.

Outro exemplo das políticas do Governo que, para o PSD, desmentem as palavras do deputado do Bloco é a portaria que permite acumular parte do subsídio de desemprego com o salário. As duas medidas "enquadram-se na lógica de que ninguém pode ficar para trás", sublinhou Adriano Rafael Moreira.

Pedro Filipe Soares respondeu que o programa "impulso jovem" é apenas mais um programa de estágios de seis meses, que não resolvem "absolutamente nada", e que a realidade é que o Governo só sabe responder ao problema do desemprego com "austeridade".

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