BE diz que Orçamento é o da "segunda 'troika'", Passos pede "pés na terra"

O Bloco de Esquerda (BE) disse hoje que o Orçamento do Estado (OE) para 2014 será o da "segunda 'troika'" e não o do pós-'troika', com o primeiro-ministro a pedir "pés na terra" ao partido que, diz, "tem um problema com a realidade".

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, acusou o Governo de estar já a negociar um segundo resgate que trará a Portugal "uma nova 'troika', mais ou menos cautelar", em 2014.

A bloquista dirigia-se ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho no parlamento, no primeiro dia de debate da proposta de OE para 2014 na generalidade.

Declarando que é "responsabilidade" de cada deputado chumbar o Orçamento no parlamento, e "é isso que vai fazer o BE", Catarina Martins sublinhou que "insistir na mesma receita" política para sair da crise, a austeridade, "é estupidez" e revela até "má-fé" de Pedro Passos Coelho.

Na resposta, o governante disse que as palavras empregues por Catarina Martins não são por si empregues no debate parlamentar e "só desqualificam quem as utiliza", e acusou o Bloco e a sua coordenadora de terem um "problema com a realidade".

"Depende de nós verdadeiramente que a 'troika' não volte, mas estou a ver que por vontade do BE a troika não sairia de cá", sustentou Passos Coelho.

A coordenadora do Bloco falou ainda da importância da Constituição, a "barreira que protege Portugal do desastre", e garantiu que durante o debate sobre o Orçamento serão desenvolvidas as propostas do partido para 2014, já avançadas na quarta-feira pelo líder parlamentar, Pedro Filipe Soares.

O primeiro-ministro, na resposta ao Bloco, voltou a garantir a determinação do Governo em fazer "tudo o que é considerado necessário para evitar um segundo resgate" e garantir a sustentabilidade das contas públicas para que a 'troika' abandone o país.

"Não precisamos da 'troika' cá para ter responsabilidade financeira", declarou o governante.

Antes, na intervenção inicial do debate, Pedro Passos Coelho defendeu que a proposta de Orçamento para 2014 é a chave para Portugal fechar esta fase de "dependência extrema" e o passaporte do país para o pós-'troika'.