Barroso diz que Trump é um palhaço "racista" e a Europa um "andaime"

O ex-presidente da comissão Europeia considera que a Europa deve receber os migrantes do Norte de África de "portas abertas, mas não escacaradas" para não dar força aos argumentos xenófobos

O ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse esta manhã que "o candidato que vai à frente das sondagens nos Estados Unidos da América, Donald Trump, tem feito afirmações racistas e xenófobas". Acrescentando logo de seguida: "Na Europa também temos políticos palhaços.".

Durão Barroso falava na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, sobre o futuro da Europa, dizendo que Trump, bem como o Tea Party, são a prova de que os nacionalismos e o crescimento da xenofobia não é um fenómeno exclusivo da Europa.

Sobre o problema da imigração, o ex-primeiro-ministro português quer uma União Europeia "de portas abertas, mas não escancaradas", precisamente para "evitar dar argumentos aos nacionalistas". Durão Barroso admitiu a incapacidade dos governos nacionais e das instituições europeias em lidar com este fenómeno, lembrando como o impressionou ver "300 caixões alinhados nos barcos" numa das visitas que fez a Lampedusa.

Na mesma intervenção, o ex-presidente da Comissão Europeia referiu que a União Europeia é "como a imagem de um andaime. Nós não gostamos de ver o andaime, mas por trás está a ser construído um belo edifício". Num discurso otimista sobre a Europa, Durão Barroso fez uma defesa empolada do Euro, da Comissão Europeia e até de toda troika, lembrando até que "não foi a troika que criou a crise, foi a crise que criou a troika". Para Durão Barroso, "a notícia da morte da Europa é, ligeiramente, exagerada"

Apesar de elogiar o Tratado de Lisboa - o mesmo que o levou a dar um abraço a José Sócrates, que então expressou o famoso "porreiro,pá" - o ex-presidente da Comissão Europeia atribuiu a responsabilidade da crise aos "comportamentos irresponsáveis dos governos nacionais que deixaram aumentar a dívida".

Elogios ao governo de Passos

O ex-presidente da Comissão Europeia elogiou o governo português por o país ter "contrariado todos os pessimismos", conseguindo cumprir o programa de ajustamento com uma "saída limpa", mas alertou que Portugal "não está imune" a que as circunstâncias mudem.

Comparou depois a resposta portuguesa à crise ao momento do filme Match Point, de Woody Allen, em que "Portugal era a bola que podia cair para o lado da Irlanda ou para o lado da Grécia e o governo evitou um cenário à grega". Quanto às legislativas, Durão Barroso advertiu que, seja quem for que ganhe as eleições, "terá de continuar a levar a cabo reformas".

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